Querido filho:
Escrevo-te esta linha para que saibas que o pai está vivo. Vou escrever bem devagar, pois sei que não consegues ler depressa.
Caso estejas sem tempo de escrever ao pai, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranqüilo vais mandar notícias. Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos de casa.
Temos agora uma máquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem... Na semana passada tua mãe pôs lá 14 camisas, apertou o botão e nunca mais as vimos. Vai ver que esta marca Hydra não é das melhores...
Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se tu vais ser tio ou tia....
Teu tio arranjou um bom emprego.Tem 12.300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte da grama do cemitério.
Quem anda sumido é teu primo Venâncio, que morreu no ano passado.
Lembra-te do teu tio Joaquim? Então, afogou-se no mês passado num depósito de vinho. Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio.
Teu irmão João continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave, para poder tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar.
Esta carta te mando através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto?
Lembrei de uma coisa importante. Terás um problema para falar com o pai, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui, antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço.
Se encontrares a Teresa, dê-lhe um alô da minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada.
Adeus.
Teu pai que te ama.
Manoel da Alcova
P..S.: Ia mandar-te 50 euros, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope..
Razão ...
RAZÃO ...
O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.
Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.
Seja muito bem vindo!
O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.
Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.
Seja muito bem vindo!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Você tem controle sobre o seu pé direito? EU DUVIDO
Pé da Syvie GuillenRecebí esse e-mail hoje e dei uma das minhas estrondosas gargalhadas e falei para a Sheila: PÁRA TUDO E VEJA ESSE E-MAIL.
E fiquei saracuteando na cadeira até eu ver que ela estava abrindo seu e-mail.
É uma sensação um pouco estranha, mas gostosa.
Depois que o fizer pela primeira vez, faz a segunda mais devagar e você vai ver seu pé girando ao contrário misteriosamente. (Não tão misterioso asim).
Mas é um máximo. U-M M-Á-X-I-M-O!!
Vamos lá?
Quando você estiver sentado à sua mesa, faça círculos com o seu pé direito no sentido dos ponteiros de um relógio.
Enquanto estiver fazendo isso, desenhe na mesa o número 6 com a sua mão direita. O movimento do seu pé vai mudar de direção... Vai circular contrário aos ponteiros de um relógio...
Conseguiu?
Duvido!
Não adianta, é o mesmo local do cérebro que comanda...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Uma cara . .
Já disse que eu sou metódica?
Então . . . . . . já do acordar é que começa toda a sistemática.
Mesmo sonolenta, mesmo que o despertar só aconteca depois que eu já efetivamente cheguei no trabalho e comi alguma coisa, tem coisas que eu faço habitualmente, pelo simples fato de ter-se tornado um ... hábito: levantar, ir ao banheiro, escovar os dentes, voltar para o quarto, vestir a roupa, os sapatos, dar uma olhada no espelho, ver se está bom e depois olhar para o meu rosto e para a minha juba. Ela, a juba, acorda da-que-le jeito, principalmente se eu deito com ela ainda úmida. Como eu não penteio os cabelos com nada, normalmente eu saio do jeito que acordo mesmo. No máximo dou uma ajeitada na frente com o secador, mas normalmente eu fico de meia trança embutida ou solto tipo esvoaçante, tipo juba de leoa, tipo ladrão: ou tá preso ou tá armado.
Quando olhei para o espelho, vi que dormi sozinha e acordei acompanhada. Acompanhada de uma coisa e-nor-me, daquelas que não tem como não encarar. Tamanho é documento? No meu caso é. Totalmente, principalmente porque quanto maior . . . pior (nesse caso, especificamente).
Lá estava ela, uma mega-ultra-power-uber 'cara na minha espinha'. A bicha tá tão grande, mas tão grande que o grand canyon está rolando três vezes para lá e três para cá, tamanha inveja do meu buraco. O dia todo a danada está me dolorindo e fiquei 'cramando' dela para a Sheila.
No final do dia, fazendo charminho para o escritório ver que eu estava dolorida, precisando de um atestado médico e a um passo de estar impossibilitada de andar pelos próximos três dias, ouvi a seguinte conversa, lá da outra sala:
- Fala prá ela passar creolina.
- Creolina???? Que eu saiba isso é pra limpar canil.
- Não.. ... creolina é bom prá limpar chiqueiro.
- E o que a Nínive tem a ver com isso gente?
- Nada, só pra ajudar.
- Passar pasta de dente seca?
- Tá doida menina?!
- Passa ferro então, só a pontinha.
- Aí aproveita e passa na cara do lado que o óculos de sol tá pegando, assim você coloca um lado da cara igual o outro e resolve o problema da 'cara na espinha', de uma vez só.
Ah tá.
Anotando então: cre-o-li-na, pas-ta de den-te, fer-ro e ... uma prótese dentária para cada um de vocês.
dentadura
Então . . . . . . já do acordar é que começa toda a sistemática.
Mesmo sonolenta, mesmo que o despertar só aconteca depois que eu já efetivamente cheguei no trabalho e comi alguma coisa, tem coisas que eu faço habitualmente, pelo simples fato de ter-se tornado um ... hábito: levantar, ir ao banheiro, escovar os dentes, voltar para o quarto, vestir a roupa, os sapatos, dar uma olhada no espelho, ver se está bom e depois olhar para o meu rosto e para a minha juba. Ela, a juba, acorda da-que-le jeito, principalmente se eu deito com ela ainda úmida. Como eu não penteio os cabelos com nada, normalmente eu saio do jeito que acordo mesmo. No máximo dou uma ajeitada na frente com o secador, mas normalmente eu fico de meia trança embutida ou solto tipo esvoaçante, tipo juba de leoa, tipo ladrão: ou tá preso ou tá armado.
Quando olhei para o espelho, vi que dormi sozinha e acordei acompanhada. Acompanhada de uma coisa e-nor-me, daquelas que não tem como não encarar. Tamanho é documento? No meu caso é. Totalmente, principalmente porque quanto maior . . . pior (nesse caso, especificamente).
Lá estava ela, uma mega-ultra-power-uber 'cara na minha espinha'. A bicha tá tão grande, mas tão grande que o grand canyon está rolando três vezes para lá e três para cá, tamanha inveja do meu buraco. O dia todo a danada está me dolorindo e fiquei 'cramando' dela para a Sheila.
No final do dia, fazendo charminho para o escritório ver que eu estava dolorida, precisando de um atestado médico e a um passo de estar impossibilitada de andar pelos próximos três dias, ouvi a seguinte conversa, lá da outra sala:
- Fala prá ela passar creolina.
- Creolina???? Que eu saiba isso é pra limpar canil.
- Não.. ... creolina é bom prá limpar chiqueiro.
- E o que a Nínive tem a ver com isso gente?
- Nada, só pra ajudar.
- Passar pasta de dente seca?
- Tá doida menina?!
- Passa ferro então, só a pontinha.
- Aí aproveita e passa na cara do lado que o óculos de sol tá pegando, assim você coloca um lado da cara igual o outro e resolve o problema da 'cara na espinha', de uma vez só.
Ah tá.
Anotando então: cre-o-li-na, pas-ta de den-te, fer-ro e ... uma prótese dentária para cada um de vocês.
dentadura
domingo, 23 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Mentiras
Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras:
É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos.
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante .
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.
Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que
faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.
Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.
É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour.
Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.
Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver .
Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver:
ar, água e pão.
Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.
Parabéns para quem consegue fingir tudo isso....
Danuza Leão
Uma das mentiras:
É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos.
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante .
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.
Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que
faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.
Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.
É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour.
Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.
Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver .
Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver:
ar, água e pão.
Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.
Parabéns para quem consegue fingir tudo isso....
Danuza Leão
sábado, 15 de maio de 2010
Causo V
Gonzaga Flat.Pranta e eu fomos para Santos em novembro de 2008.
Lá ficamos em um flat muito bom, perto de tudo: da praia, dos shoppings, dos bares. Então, durante o dia íamos à praia ou à piscina – que fica na cobertura - e à noite saíamos para comer e nos divertir.
Na volta da praia, em um desses dias, ao tomar banho, vi que meu biquíni branco tinha encardido e tentei lavá-lo com sabonete. Em vão.
Saindo do banheiro tive a brilhante idéia de fervê-lo com um pouco de sabonete, já que no flat tem uma mini-cozinha Então raspei o sabonete com uma faca, peguei a panela, enchi d’água e coloquei o biquíni dentro.
Voltei para o banheiro e fui passar meus cremes. Quando resolvi pentear os cabelos, não achei no meu nécessaire o pente e gritei:
- Pranta, você tem pente?
- Não uso pente.
- E escova?
- Fiiiilha, olha seu cabelo e olha o meu, você acha que eu uso escova?
Olhei. É de fato ela jamais precisará arrumar seus cabelos com escova. Pranta tem os cabelos lisos e finos, arruma-os só com os dedos, mas eu, ai eu ... .,. Bom mas aí, tinha em cima da pia, um souvenir com 1 mini-xampu, 1 mini-condicionador, 1 mini-sabonete e .......um mini-pente. Eeeeee. Pente fino... mas um pente. Ca-la-ro que eu tive que passá-lo bem devagarzinho, senão na primeira ida meu pixaim quebraria toooo-dos os dentes do coitado. Na segunda passada, já que a primeira eu só consegui ir até o alto da cabeça, resolvi me virar de lado, para tentar de baixo para cima. Nessa, de virar de lado, o pente voou, deu um mortal duplo carpado, me deu um tchau e se jogou de finca no vaso. Minha boca fez o formato de um ‘ó’ e ainda vi o fi-da-mãe nadando cachorrinho. Meu-deus, PRECISO DAQUELE PENTE. E o meu cabelo??? Procurei alguma coisa para resgatá-lo. De volta à minha maxi nécessaire, tive idéias olhando para a pinça. Pinça-pente. Pente-pinça.
Fiz um cálculo para ver se a minha mão encostaria na água do vaso. Pelas minhas contas na HP12C, dava. Fui lá. Segurei a pinça com o indicador e o dedão, levantei o mindinho e ........fiquei parecendo àquelas máquinas de pegar ursinho. Mira, mira, mira e quando a garra sobe, o ursinho cai. Lá vai eu: segunda tentativa. Ter-cei-ra. Quarta. Peguei. Peguei.
Levei toda a minha confusão em silêncio para a cozinha. Passei pela Pranta, que estava na sala vendo TV e não falei absolutamente nada sobre o Resgate do Soldado Ryan. Joguei tudo dentro da panela para ferver e desinfetar e voltei para o banheiro. Acabei de me trocar e fui para o quarto cochilar. Liguei o ar e apaguei.
- PRANTA DO CÉU, a pranta gritou.
Segundos depois ela entra no meu quarto.
- Pranta, você não sabe o que aconteceu. A sala está toda enfumaçada. O que você arrumou na cozinha?
- Ai a panela.
- Pranta, a sala Pranta. Está toda enfumaçada. Quando abri os olhos, eu não enxerguei nada. Tudo branco. Custei a entender que vinha da cozinha, peguei uma coisa lá que parece panela, coloquei na sacada, mas a fumaça não para de sair e o povo lá embaixo já ta olhando para mim na sacada com fumaça e tudo.
Tive a maior dificuldade para acordar, me descobrir e a sair do quarto. Eu realmente sou muito lenta para sair da cama – ah como eu gosto de uma cama – e o quarto estava fresquinho, escurinho .. ai ai..
- PRANTA DO CÉU! – eu gritei.
Estava tudo enfumaçado. Tudo. Não dava para enxergar nada. A sacada estava aberta com tufos de fumaça saindo e fiquei estática por alguns segundo, até a fumaça me incomodar e me fazer voltar para o quarto.
Fechei a porta, abri a cortina e ficamos pensando no que fazer. Resolvemos abrir tudo e começamos a abanar para ver e ajudava a sair. Aos poucos e muito lentamente, a fumaça começou a diminuir. Ficamos pensando como tirar aquele cheiro de fumaça. Já estava noite, aprontamos e saímos para comer. Pranta, pegou um tudo de creme hidratante novinho, pegou o tapete do banheiro e deu uma faxina no quarto. Quando saímos estava tudo cheirosinho. Descemos com a prova do crime bem escondido e jogamos fora em um latão bem longe dali.
No shopping, comemos e fomos procurar lojas que pudéssemos achar uma panela igual a que queimou. A panela queimada parecia tudo, menos que tinha sido panela um dia, em toda a sua vida. Era uma leiteira.
Não achamos uma leiteira nada parecida com a que jaz entre nós.
De volta ao flat, tivemos a decepção de perceber que o cheiro não tinha ido embora. Ainda inda estava muito forte e tive a idéia de colocar o ‘do not disturb’ do lado de fora da porta, porque ainda não tínhamos uma explicação razoável para dar ao gerente ou a algum funcionário que fosse.
Dormimos e acordamos com o cheiro que agora já nos impregnara. Arght! Começamos a sentir pequenos enjôos. Tomamos pouco café da manhã e fomos à praia. Lá ficamos pensando no que fazer, já que no final do dia iríamos embora. Avaliamos as nossas últimas 12 horas. Alguém do quarto ao lado poderia ter sentido o cheiro, avisado a um funcionário, que chamaria o gerente, que acionaria os bombeiros.
Só me passava isso pela cabeça. Não sei como que aqueles detectores de incêndio não acionaram. Pranta falou que eles só funcionam com indícios de fogo e não de fumaça. Ah tá. Ufa!
Voltamos no final do dia e o cheiro de fumaça estava ali. Não teve Victoria’s Secret que desse conta. Pedimos para fechar a conta. Acabamos de arrumar a mala e descemos. Quando fui assinar a fatura, comecei a ler cuidadosamente as coisas que estavam discriminadas e ri.
Mente fértil já viu né?.
Passagem de avião .............R$ 400,00
Feriado em Santos .............R$ 400,00
Leiteira ......................R$ 35,00
Victoria’s Secret .............R$ 45,00
Passar mais um feriado comigo, dando uma de incendiária NÃO TEM PREÇO.
Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe Nínive Lage.
Sacada do flat (antes do fumacê)
O biquíni branco (jaz entre nós)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Ganhei Selinho da Cida

Ganhei esse selinho da CIDA que está sempre comigo, me lendo, me chamando de linda e querendo a minha mamãe emprestada. (Empresto hein? Mes-mo).
Blogs que eu indico:
Meu jeito by Aline Magalhães
Blog da Aldi
Blog da Lara
Deveria estar estudando!!!
E isso é glamour?
Eu e Meu Eu "Over"
Gaúchas na Moda
Jana e seus Acessórios
Para quem pegar o selinho:
1. Exibir a imgem do selo em seu blog.
2. Agradecer e linkar o blog que recebeu a indicação.
3. Escolher outros 8 blogs.
4. Avisar os escolhidos.
Muito obrigada, Cida. Muah!
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