Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Você merece!

Agora, o momento é de profunda tristeza e do olhar para trás: a última vez que viajamos, que nos abraçamos, que rimos juntos, que almoçamos, que fizemos amor. Aquele quase que se não fosse a intersecção, não havia o hoje com promessas como “eu daria tudo para ter de volta”. É esse quase, que vai te arrasar e te levar as lágrimas.

Por algum tempo.

O dia amanhece preguiçoso e só. Se não fosse o balbuciar do quarto ao lado e o riso com baba, seu dia seria mais enuviado. E é por esses risinhos fora de hora e de um som cantante, que você troca o choro por um riso e um bom dia, daqueles de bom mesmo. Porque o melhor está nesse momento na sua frente, te pedindo com os olhos para ficar. E que olhos.

Seu dia deve ser cheio, mas precisa estar lotado. Volte a dançar. Bailarina não chora de dor. Nem na ponta do pé. De tristeza pode chorar; na sapatilha, com jaleco, de pijama. Lembranças são heranças da vida e legitima um passado recente que lateja e faz jus aos lacrimejos. Foi bonito demais, num foi?

Aproveita, porque daqui mais um pouco você vai ficar com raiva e vai atacar quem estiver por perto. Eu mesma vou dar cambré para não pegar em mim, mas depois volto a posição inicial da dança, porque isso também vai passar. Nesse momento, você vai dar os primeiros passos básicos de uma dança solo e vai ver que é uma apresentação bonita também. Que sem a condução obrigatória do cavalheiro, você poderá girar sozinha. Para um lado e para o outro.
Esse exercício novo, que parece complicado, é porque nos acostumamos com. Agora vai ter que acostumar sem. Sair da zona de conforto não é fácil. Ainda bem! Se fosse, ele não seria fundo. Todo fundo do poço tem molas, mas você precisa ir lá, para depois alçar seu vôo mais alto, mais elegante. Como os que você fazia no palco.


A Nina, meu dodoizinho teve que amputar a pata, você sabe. Foi a decisão mais rápida que tomei. Autorizei de imediato. Com a pata quebrada, sem utilidade, estava comprometendo sua qualidade de vida. Depois da cirurgia, a bichinha virou outra. Quando a vi sem o membro, o impacto foi grande, chorei e a abracei ainda semi anestesiada. Mas ó, até os animais tem o direito de ser felizes. Ela não estava.
Você estava?

Sua Florzinha vai te lembrar todos os dias que alguém passou por sua vida e te fez feliz enquanto deu conta. Quando não deu, saiu de cena. Por mais que isso te doa, aceite que também foi uma atitude de coragem que muitos não fazem. Não sofra pelo futuro. Ele está aí todo enorme na sua frente. Lembre do passado como algo sublime e guarde só o que for bom para você.
Foi lhe dada a chance da alegria e do riso fácil como dos tempos de escola igual vi outro dia uma foto sua do Corina com o cabelo modi-pluft.


Hoje você não vai conseguir pensar assim e eu entendo. Guarde esse texto visionando um futuro melhor do que tudo que já lhe aconteceu. Todos somos dignos da felicidade, mas cada um só tem aquilo que merece.
E você mereçe!
Estamos todos aqui em casa chorando por e com você.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Modo OFF

Não sei o que acontece.

Uma vez, há uns anos atrás, durante um período, tive que tomar uma medicação forte, daí que acho que ela queimou uns neurônios, ou desativou uma boa parte.

Na teoria é assim: faço uma organização mental para alinhar horário, com afazeres. Organizo tudo antes de começar e por pouca coisa o ‘trem’ não anda se não estiver alinhado. No dicionário isso se chama sistematizar.
(Adendo: ao contrário do que culturalmente utilizamos a expressão fulano é sistemático para dizer que ele é na dele, cheio de nove horas, ou ainda uma pessoa difícil, sistemático é a pessoa que exerce seu trabalho por sistemas e isso cabe também em lazer).



Na prática vivo brigando comigo mesma: Nínive, nove horas poder ser nove e quinze, nove e vinte,não precisa achar que o relógio da pessoa está com o fuso horário de Zimbabue. Nínive, se seu computador não liga, pega outro, abra os arquivos que der e trabalhe da melhor forma possível. Nínive, se sua amiga emperrou prá sair, ao invés de ligar e xingar a mãe dela, pega o carro e vai buscá-la. O imprevisto sobrevém a tudo e a todos.

Meu problema é o combinar. Serviria para morar naquela época em que palavra valia ouro. Sempre termino as frases com o meu indefectível: combinado!. Não sei desfazer trato, abrir mão das pessoas e chegar atrasada. E se a outra parte faz isso, é como se ela me amarrasse e me colocasse de cabeça para baixo dentro de um tanque cheio d´água. Drama é meu forte também.

Então, como eu passei da fase de dar xilique com a banda Calypso de fundo, comprei nas Organizações Tabajaras o MODO OFF. Paguei a vista. Ele serve para tudo e esse tudo é tudo mes-mo.







Acho que quando meus miolos vão entrar em pane, para se protegerem, eles se desligam e aí entra a Dori. Pode falar, pode mandar ir, esperar, voltar, ficar calado, tudo eu acolho em silêncio, com os olhos fixos na pessoa e com um balançar de cabeça como se estivesse assentindo. Se me perguntar se entendi: balanço a cabeça em sinal afirmativo, mas se me perguntam o que entendi, saiu como um ‘como?’ expressão que delata meu avoamento.

Pessoas próximas sacam na hora e quando não danam, riem e emendam: continue a nadar, continue a nadar. No trabalho uso a meu favor: pode tocar o telefone, o rádio e me chamar no MSN que o poder de concentração é tão grande que não me atrapalho com nenhum desses e vou atendendo e respondendo um a um, sem pressa ou agonia. Na vida social tem que me vigiar. Sou companhia de mim mesma fácil. Andar de carro, muito barulho, silêncio absoluto, tomar sol, caminhar, ouvir música e otras cositas más, só dá eu. Pensa em um egocentrismo. Agora dobra. Chego a ter dificuldade para ouvir, motivo pelo qual prefiro legenda.

No mais sou normal. De longe. Na verdade, a distância de um beiço de pulga como diz Giselle e por ora cantarolo a frase de uma música que achei a melhor do ano: tá a fim de um romance, compra um livro, se quer felicidade vem me ver de novo.



Modo off ligado eti momenti.







sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ó, assim: amo você


Maquiagem, cabelo, roupa, sapato de onça, mais uma olhada no espelho.
-  Quanto estiver pronta, faz sinal de fumaça.
-  1,2,3 e jáááááá!!! Respondi o torpedo .

Em 4 minutos ela estava na porta de casa.
- Bora prá Ituverava beach.
- E lá vamos nós.

Paradinha no posto prá comprar cerveja (quente) e uma ice( querosene de avião) e s’imbora.

Pessoa elétrica, fala, dirige, olha, acelera, freia, ultrapassa um caminhão, conta nos dedos quantos km andamos, acha que passou da entrada, dá um grito:  - é aqui, é aqui, ui!. Vira, contorna, quarta, quinta marcha, terceira, freia, para.

- Liga pro Príncipe e fala que estamos na porta do Espeto.

Fala, fala, ri, fala que quer ser comediante, ri de novo, fala que vai cobrar daí é a gente que não pode rir.
- Praonde vamos mesmo?
- Recinto.
- Então vamos, já são 11h (da noite).

Entra no carro, liga o som no máximo, canta, dança, baliza, ops, pneu encostou, baliza de novo, aewwww.

- Vai tocar o que mesmo?
- Moda de viola.

Só ouço sertanejo universitário. Assunto: será que ‘as moda’ do estado de São Paulo são diferentes das de Minas?

Ela não para de dançar, faz amizade com um véi de 80 anos que adora a companhia e começa a pagar bebida. Mas tem que dançar comigo. E pegar na minha mão – ouso dizer que ele devia estar pensando.

Confusão. Entendi nada. Até hoje. E ela ta lá no maior dê-erre. E o trem nem era com ela. Olho daqui, olho de lá e me vejo sendo carregada pro banheiro. – blá, blá, blá, blá, sim ela estava me falando um monte, além de me acusar de estar errada e um vai lá falar com ele.

Ela volta a dançar. E eu fico pensando no que falar. Por entre os dentes, ela balbucia: fala logo! Te mato! Manda em mim de novo. Daí a pouco estou eu fazendo dê-erre.

Ouço daqui, ouço acolá, tento falar e não me vem nada a cabeça. Ela? Ah, ela aparece na janela dançando o eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tchu, tcha, tcha, tchu... nessa parte mais rítmica, ela cai. Já viram uma girafa caindo? Eu vi. Nesse dia. O povo que a levantou do chão, até ficaram de costas para o palco. O show – a partir dali – acontecia ao lado deles. Todas as músicas que se seguiram, tinham uma dancinha. Para não cair ela tirou os sapatos e lá pelas tantas, era eu quem estava dando show junto. Na rua. E de graça. A nossa química bateu, o nosso amor aconteceu, se tem alguém que lhe quer bem, esse alguém sou eu, cola meu corpo com o seu, ser personagem do prazer, ou simplesmente ser alguém na sua vida. Vem cá, pode chegar,deixa de besteira, sou todo seu, todo seu, todo seu[...]

Sentamos, fomos comer: dois omeletes, um lanche, uma coca e mais uma cerveja.
- Vamos embora?
- Nem na bala, não vim aqui prá dormir!

Enfo.

Fui-me né. Dei entrada no hotel e lá pelas tantas, ela chega cantando Vem cá, pode chegar,deixa de besteira, sou todo seu, todo seu, todo seu[...]. Ela não dorme, não deixa a gente dormir e ainda consegui cair da cama: ora para o lado direito, ora pela frente. Lembra de um causo, levanta, abre a janela, conta, requebra, lembra que tem que tirar as lentes, volta dando um duplo mortal carpado e apaga.

Graças a Deus!

Acordamos a tarde, com um frio, frio, saímos para tomar café, pulamos o almoço, tomamos sorvete e fomos caçar o que fazer. Primeiro, procurar uma meia calça (meia fina), mas por mais incrível que possa parecer, a cidade não sabe o que é. Perguntaram-me se era uma calça pela metade, se era de vestir e quando disseram que sim, me deram uma meia Kendall média compressão. Blé!

A noite fomos em um bar, foto, outro bar, mais foto e depois uma boate que estava tocando sertanejo universitário. Entramos ao som de tumtsitum, tumtsitum, tumtsitum. É... o sertanejo deles também é diferente dos nossos, aqui essa batida se chama Techno.

Madrugada, fome, eu quero comer cachorro quente, tá?  - enfezei. Rodamos tudo quantuá, na cidade não vende cachorro quente além de meia fina. O cansaço chegou e vam’bora?
- Nem na bala  - ela me respondeu – não vim aqui prá dormir. Vai pagar a diária do hotel sozinha, porque daqui não saio.
- Ó – estiquei o polegar prá ela – beleza então.

Lá pelas tantas, ‘invém’ o trem, se desculpando que estava chegando aquela hora, porque o povo não quis ficar. Aquela hora eram umas sete da matina. Entra, acende a luz, conta outro causo de dentro do banheiro, sai, troca de roupa, deita e não consegue ficar quieta. Levanta, vê um filtro solar fotoequilíbrio fator 40  em cima da mesa, não se agüenta de graça e ri até cair no chão. Levanta, continua zombando, deita, ri. ZzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzz.

Acorda dizendo que DETESTA ir embora. Desvira o sutiã que está em cima da mala, veste, arruma a bagunça, faz o check out e volta falaaaaando e combinando a próxima viagem.

- Quero ser comediante!
- To desperdiçada.
- E vou cobrar!

E me olha.

Vem cá, e eu já tô te devendo?




Ó assim: amo você

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Longe dos olhos mas perto do coração

[...] “ fazemos tudo o que um homem faz e de salto alto” é o término de um texto que já foi reescrito de diversas formas para vangloriar a independência feminina. Eu mesma sou a cara de muitas dessas versões, mas ando querendo passar essa minha cara prá frente. Não sou dona de casa, mas já fui, não sou mulher de nenhum marido, mas já fui, não lavo, não passo e não cozinho, mas já fiz tudo isso e usei muitos e longos finais de semana para descansar quando era possível, pois abria a despensa e via que tinha que fazer compras, abria o caderno e me lembrava de um trabalho da faculdade, consultava a agenda e via que tinha um lembrete de mim pra mim dizendo que aquele final de semana era o último da minha faxineira e como o marido dela era meu jardineiro, eu também ficaria sem ambos e quando tudo parecia declinar, ainda tive que entregar a casa onde morava e aiaiaiuiuiui procurar um novo lar. Namorar? Que jeito? Eu mal agüentava ir pra faculdade, levantava 05h30 da manhã, viajava uns 20km para ir trabalhar, chegava em cima da hora na faculdade e no retorno para casa ainda tinha que estudar para uma provinha oral básica de inglês pro’outro dia. Eita lelê: lerê, lerê, lerê, lerê, lerê.
Poxa, deixa eu falar uma coisa: não era mais legal quando o homem provia algumas dessas muitas coisas enquanto a gente cuidava de outras? Agora além dos serviços, dos estudos, dos filhos, da família, você ainda tem que ir atrás de independência financeira, moral, social para se sentir igual? Maior? Melhor?

Ó, tenho maior orgulho da vida que levei dos 21 aos 30. Mas além de batalhar e correr atrás eu sofri demaissss da conta. Mas demais mesmo. Sob muitos aspectos. E fui feliz sim, claro, porque para mim felicidade é estado de espírito, mas querer ser maior, igual que eles? Por que? Prá que? Ó, dá não hein?

Prefiro deixá-los trocar o pneu do carro, cortejar-nos, ser o provedor, acender uma churrasqueira , ou seja, cumprir a parte que lhes cabe, porque a ultima vez que fui acender uma churrasqueira, gentem.... primeiro que não entendo de arrumar o carvão no fundo, depois fazer um castelo, aí coloca fogo, bana, colocar gordura quente, bana de novo. Tudo isso foi-me dito depois das duas explosões que provoquei, com direito a voar a gordura na parede e enfumaçar tudo ao nosso redor. Depois que eu achava que a churrasqueira estava acesa, danei a cobrir toda a grelha de carne, um queijinho, mais gordura, pão de alho e vamos banar minha gente. Bana de cá, bana de lá, o queijo derreteu, o pãozinho de alho ficou pronto e resolvi começar a comer já que eram quase quatro da tarde e eu estava desde as 13h30 pelejando com a dita cuja. Enquanto comia, olhava de soslaio para a churrasqueira e só quando tudo enfumaçou de novo, vi que a churrasqueira tinha apagado fazia é tempo e a bonita aqui estava era espalhando a fumaça. Tira tudo da grelha, amontoa o carvão, dá-lhe álcool e POW! Mais uma explosão e lá vamos nós tentar assar a carne. Eram uma cinco e meia da tarde quando eu e aquele de bando de mulheres independentes cansamos da nossa empreitada e resolvemos comer o queijo cru mesmo, junto com o pão de alho com gosto de fumaça e hum... hum...e abrir o pote de sorvete com o bolo, ambos comprados prontos, porque claro, alguma coisa tinha que dar certo.




Pelo menos a cerveja estava gelada e meu salto anabela me colocara na altura que gosto de ficar. Mas vamos combinar, se eu estivesse descalça tinha visto mais de perto, não somente dentro da churrasqueira, mas também de que toda aquela situação teria sido evitada se tivéssemos em nossa companhia o motivo da conversa naquela tarde ensolarada encoberta pela nossa tentativa de viver um pouco longe deles.
Nínive não está defendendoe nem julgando. Só sendo romântica.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Especialista em generalidades

Diego Fernandes bem sabe que toda vez sou barrada no portão de embarque. É minha sandália com fivela, é meu cinto, é minha lingerie de zíper. Aí me dão um propré pra eu atravessar descalça ou me colocam na inspeção com os braços a la Jesus Cristo, frente e verso.

Adoro viajar e ter um causo já faz parte do processo emocional da coisa. Quando emiti meus bilhetes fiquei conferindo-os uns dois dias. De tanto conferir decorei o localizador. Foi até bom...Até a metade do caminho fui com uma amiga e de lá segui pra Vitória. Ir para lá me fez reviver a emoção de quando cheguei. E de quando vim embora. Curto nostalgias veementemente. Passei dias agradabilíssimos, fui muitíssima bem tratada e ri horrores. Sai de lá chorando. Não podia ser diferente. Eu queria ver todo mundo e vi. Todo mundo que eu queria ver eu vi e não fiquei mais por falta de oportunidade. Ah e também por causa de um caldo que tomei. E também porque me queimei nas coxas e nas costas. – Bem feito, me disse o Warley, me dando uns tapas no local queimado.



Dormi cedo, acordei cedo e fui a praia quase todos os dias, mesmo a chuva ameaçando cair. Ela caia e tá a bonita na praia sendo burlada. Mineiro num tem disso não. Guarda sol serve também para guardar a chuva, uai.

Não fiz compras, ganhei presentes e trouxe muitas fotos de recordação. Cheguei renovada e alegre. Mas só eu. As bonitas das minhas malas foram dar uma voltinha em Salvador e devem chegar qualquer dia desses aí. Isso são detalhes perto do bate papo cabeça que tive em Camburi a la Itaipava. Especialista em generalidades. Essa foi a melhor. Só esqueci de dizer - ou reforçar - que sou formada em Secretariado Executivo Trilingue onde se ensina a multidisciplinaridade da função e do exercício da profissão. Agora tenho diploma reconhecido pelo MEC nessa área. Estudei direito, economia, marketing, arquivo, recursos humanos, matemática financeira, protocolo e cerimonial ... etecetera, etecetera. Tá?

Certo dia me falaram que eu tenho o vocabulário vasto. Também já me falaram que eu falo difícil e em uma briga de casal, um namorado boliviano disse que las palabras que salen de mi boca eran demasiado loco.



Doida não nego, aliás não nego nem que não sei ler mapa. Mas é nada de nada mes-mo. Vôo baixo nesse quesito e por força profissional sambo dentro da roupa quando me perguntam onde a Cia Aérea que trabalho não voa na Ásia. Vem cá, isso é pergunta que se faça? Não dá pra perguntar pra’onde voa? Tudo bem que eu vou sempre responder: para a América do Sul, Europa, Estados Unidos e uma parte da Ásia. Agora, me perguntar em que parte não voa, está me humilhando demais não acha não?
Eu acho, até porque to mais preocupada em saber onde fica Salvador no mapa, pra eu trocar de lugar com a minha bagagem. Quando descobrir, vai que compensa ser especialista em generalidades.

Nínive sorria, você vai sim prá Bahia!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Eu nunca


Para ganhar aquele brinquedo que faz bolinhas de salão, prometi há uns bons anos atrás:
- Pai se o senhor comprar prá mim eu nunca mais vou te pedir nada!

De soslaio, me olhou e respondeu:
- Ah quem dera!
- É verdade. Nunca mais.

Ganhei.

Na adolescência, dei um faniquito aqui em casa que queria porque queria uma bolsa que tinha visto no Shopping e ai ai ai Pai, por favor, há tempos que o senhor não me dá nenhum presente e eu pre-ci-so daquela bolsa, ela é a coisa mais linda que eu já vi,vamos lá no Shopping só pro senhor ver. Arrumei um falatório sem fim e vencido pela insistência, fomos. Chegando lá, a bolsa já reservada e eu:
- Mãe, ela não é linda, olha só, ai por favor Pai, a moça dividi e se o senhor levar a carteira nem vai ficar caro, ai Pai por favor, eu não te peço mais nada esse ano. Nunca mais.


Ganhei.

Agora, mais velha e já manjada com esses meus Eu Nunca, sou a primeira a puxar a brincadeira na roda de amigos. Funciona assim. Eu falo: eu nunca andei de elevador. Quem já andou, bebe. Como não tem graça brincar assim,a brincadeira começa sob outro ponto de vista:
- Eu nunca fiz streaptease.

De umas setes pessoas na mesa, umas seis bebe, menos o novato que ao invés de beber ooo-u não beber, começa a perguntar pra quem foi feito, quando e porque.
- Bem, ou você bebe ou não bebe, não tem o porque, responde uma de nós.
- Eu nunca fumei.

A metade da mesa bebe.
O dito cujo: - mas você já fumou, mas você não fuma, já fumou o que?

Paramos a brincadeira e resolvemos deixá-la mais clara.
- Beeem, a brincadeira é assim: você fala alguma coisa que você fez ou que você não fez. Se você fez o que falou, ou que o outro da mesa falou, você bebe. Se você não fez o que falou ou o que o outro não falou, você não bebe, entendeu?

- Zzzzzzzzzzzzzzzzzz.
- Eu nunca fiquei com ex marido.

O próprio: - Você bebeu? Então você já ficou? Mas você não está separada há pouco tempo? Quem terminou o casamento?
- Filho de Deus, sem "DR", desse jeito vamos ter que brincar de vaca amarela antes de brincar de Eu Nunca, droga!

- Zzzzzzzzzzzzzzzzz.

- Eu nunca fiz amor no canavial.


- Mas no canavial? Gente deixa eu falar uma coisa prá vocês, aquilo lá parece um labirinto, você pode ficar doido senão conseguir sair, porque canavial não tem trilha, é tudo igual e .... gente, mas no canavial, é bom mesmo?

Amigas queridas do Core, vamos demitir nosso amigo da brincadeira e aproveitar o ensejo e dizer pra outra lá que basta ela beber, mostrar o derriére também não faz parte do Eu Nunca.


Nínive abriu o coração e entornou o caneco. Uh!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ou amor. Ou sexo. Ou os dois.



Se tinha uma coisa que me deixava intrigada na questão do amor é: se o sexo é bom, se a companhia é boa, se vira e mexe você vê que a outra pessoa continua sozinha e não com você, se você insiste para que dê certo, dá todas as chances. Recua, avança. Se permite. Aí não aguenta dá um basta. Passa um tempo, volta a atender os insistentes telefonemas e então baixa a guarda e no final das contas você não tem ninguém, mas também não se acha livre e quando se vê (quando se vê!), já passou um tempão e você continua nesse iô-iô. O que fazer?

Uma amiga psicóloga da Martha Medeiros disse certa vez em um reunião de Lulus: " Eu, se fosse você não terminava. Às vezes ficamos mais presas a um amor quando ele termina do que quando nos mantemos na relação". Li essa frase e fiquei boquiaberta. Ao final do texto entendi que não adianta antecipar o término daquilo que não acabou. "Espere a relação chegar até a rapa, e aí sim". Pronto, agora porque eu escrevi e tenho a Marthinha como consultora, você vai [re]começar os telefonemas?

Guenta aí. Estou falando de artimanhas complexas de uma relação que pode ter amor e sexo. Ou , um e outro, tá? Então vamos organizar. O que está bom para você? Curtição? Momento? Beleza, se joga: deixa o bofe puxar seus cabelos, deixa a it girl amolecer seu gingado e faça o que Luis Fernando Veríssimo publicou: Dar é inevitável. Dê mesmo, dê sempre, dê muito [...].




Mas se você está querendo um amor, aí a condição é outra. É de entrega. Sua e do seu amor. E é a falta disso que explica as relações que não se sustentam, mesmo havendo química, sexo delícia e amor. A condição de entrega é "quando ambos jogam no mesmo time, apenas com estilos diferentes". Se dá ainda quando não há julgamentos tampouco quando um usa suas palavras contra você. Não que um sempre concorde, mas lhe é leal, sob qualquer circunstância. Não finge. Não mente. Não omite. Só ri se realmente achar graça e lhe diz nãos. Nãos que são de amor, que são de afeto e de cuidado. Amor que não tem que durar porque você foi inteiro. Não tem que. Mas pode. E se acaba, vira amizade, porque enquanto juntos, houve entrega. Nenhum sonegou a parte que lhe cabia.


"Condição de entrega é dar um triplo mortal pressentindo que há uma rede lá embaixo, mesmo que saibamos que não existe rede para o amor". Mas desejar que a presença, lhe seja suficiente.


E quando chegarmos nessa condição, a de entrega, poderemos dar [...] "muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão, esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar".



Nínive agora entendeu tudo.