Nanda (minha irmã) é disléxica, daquelas que vive dando furo com o namorado igual aquela propaganda que o cara fala que acabou de tomar banho e vai cair na balada ... cama, amor, vou cair na cama.
Nanda liga pro namorado e fala que vai dormir com o Thiago ao invés de falar que vai sair com ele e Thiago é outro do naipe dela. Espera dar o horário da namorada ligar, conversa com ela, desliga e manda o seguinte torpedo pra Nanda: Já falei com a Beltrana. Agora podemos sair. Só, que ele esqueceu de mandar para o celular da Nanda e mandou pro da namorada. Não preciso nem dizer que os noiados não botaram o narizinho deles na rua néam?
Já eu ... vivo dando gafe. Meu blog é testemunha ocular dos fora. Lembram do dia que entrei toooda empinada em um cartório em Vitória e ...
- Moça, só uma pergunta, por favor, aqui é cartório de bloco de notas?
- Bloco de notas?
- É. É.
- Não, aqui é cartório de notas, senhora. Só de notas.
Pois é.
Semana passada teve blitz aqui na rua Senador Pena só de moto. Eu vinha sentido contrário e quase na esquina avistei um policial com uma arma enorme apontada prá baixo. Vim subindo, olhando desconfiada e fui pra rua. A rua estreita, o fluxo de veículos aumentou, tive que voltar prá calçada. Fui passando por ele e falei:
- Tô com medo de passar perto de você.
- Mas porque, não precisa não.
- Seu negócio aí apontado prá baixo.
Negócio? Ne-gó-cio??? Isso é palavriado de uma Secretaria Executiva Trilíngue?
Falei e arrependi. Voltei e emendei:
- Na verdade não foi isso o que quis dizer, me desculpe.
E acabei tocando no ombro dele em um gesto involuntário que tenho a mania de fazer: falar e encostar.
Foi o suficiente para um conhecido descendo de carro gritar e me fazer arrepender de ter passado naquela rua:
- Outro baculejo, Nínive?
É, pois é, já tomei um baculejo. Dois na verdade.
Nínive não nega a raça. Mandou um aí começar o que tinha terminado.
