Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


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domingo, 19 de dezembro de 2010

Meu herói

Sabe quando a gente conta uma situação desastrosa que está acontecendo na nossa vida e a pessoa ou nos escuta impacientemente, isto é, fica interrompendo sem cessar ou espera a gente terminar para dizer:


- Calma, no final tudo dá certo, se não deu, é porque o fim não chegou.

Eu nunca gostei dessa frase, acho-a clichê do tipo: a pessoa não tem nada para dizer e perdeu uma boa chance de ficar calada. Além disso acho também que a pessoa está desmerecendo o momento que é de tristeza, stress ou luto. Por que o que interessa é só a parte final? Por que não é dado o devido crédito do momento de transição aflitivo e angustiante? Por que a gente tem que ter calma se o momento pede outro estado de espírito? A calma é para o fim, quando tudo 'enfim', estará bem não é mesmo?

Hoje meu momento é de plena calmaria, bem a cara do fim, mas as semanas que antecederam esse bonito fim, foram de extrema tensão e eles precisam do registro, pois foi a única forma que encontrei de externar e por fim à dor, à tristeza, á fome, o medo, o cansaço, o stress, a aflição e a angústia que o Cid passou.

Ele viajou numa sexta para chegar domingo e na verdade Cid só conseguiu chegar no final da outra semana. Tudo o que podia dar errado deu, até que - passado a provação possível e inimaginável - ele começou a viagem de volta. A mudança chegou primeiro, já que o caminhão já locado com todas as nossas mudanças dentro, não coube a Ducato, no prego. Tentaram de todo jeito e tiveram que descer o carro e ele teve que ir atrás de outro caminhão. Recebi junto com a mudança, notícias do Cid e fiquei sabendo com riqueza de detalhes tudo o que aconteceu.

Primeiro tentaram voltar com a Ducato de cambão e estrada de terra com caminhão na frente é igual a colocar uma bala no revólver e ficar brincando de vida ou morte com alguém. O caminhão fazia poeira e Cid não enxergava para que lado a estrada corria então ele só via a ora da curva quando já estava em cima dela. Hora o caminhão estava devagar, hora rápido e nessa problemática cada vez que Cid tinha dificuldade ele buzinava e dava sinal com farol: quem disse que o motorista via? Cid viajou 200 km puxado correndo o risco de morrer a cada curva. Deus olhou por ele e para o motorista que resolveu parar e perguntar se estava tudo bem e se Cid queria continuar. Cid estava desesperado, queria ter parado nos primeiros 20 km e agradeceu o cara e ele seguiu viagem até aqui.

Minha mudança chegou em perfeito estado e fiquei feliz por saber que só mais um pouco Cid estaria aqui.

O processo de arrumar outro caminhão para trazer o utilitário foi resolvido graças a um amigo que virou um daqueles melhores amigos do Cid. Ele fez de tudo, absolutamente tudo para ajeitar a volta do Cid e graças a ele, meu marido conseguiu um outro caminhão e a sua volta - enfim - começara.

O motorista também estava fazendo um frete para um rapaz com dois irmãos, então vieram na frente o motorista, um rapaz e dois meninos, atrás veio a Ducato, a mudança deles e dois cachorros amarrados com corda pelo pescoço. Cid veio espremido, mas os cachorros vieram sambando, coitados.

Na quinta, por volta das 15h, Cid me liga e avisa que estava na entrada da cidade. Meu coração encheu de alegria e quis chorar, mas segurei. Quando o avistei, precisei segurar a emoção: Cid estava imundo, descabelado, barbudo, abatido e depois fiquei sabendo que ele estava sem comer, sem dormir e que tinha passado uma noite deitado no chão em cima de uma blusa e uma bermuda, as menos sujas que ele tinha. Quando Cid viajou eu arrumei roupa para 4 dias, mas na verdade ele ficou 10, em virtude disso ele ficou usando roupa suja durante uma semana e roupa suja no Pará não é igual a roupa suja no Espírito Santo, Minas ou São Paulo. Aqui a roupa fica bege quando está suja e marrom café quando está imunda. Cid estava parecendo uma borra de café de longe. Por ficar usando roupa suja, Cid que é branco-transparente ficou com a pele encardida e encheu toooooooooooooo-do de espinha, daquelas vermelhonas que inflamam. Estava de dar dó.

Desci do carro e abracei o Cid. Beijei-o na boca e disse que estava feliz por ter chegado. Sua viagem ainda não tinha terminado. O caminhoneiro deixou a água do radiador acabar e o caminhão deu pau há 10km da cidade, ou seja, Cid teve que pedir carona e chegar até aqui para pedir ajuda.

Em casa, Cid foi tomar banho e pediu roupas limpas. Eram umas 17h quando ele me disse que estava sem almoço, sem banho, sem dormir. As 20h ele quis comer de novo. A janta né. Deitou para ver tv e apagou.

Hoje estamos muito bem instalados na casa nova. Semana passada consegui colocar tudo no lugar e já fizemos um almoço de inauguração/comemoração. Só para ele e eu. Brindamos nossa primeira refeição em nosso lar.


Carneiro assado na brasa


No fim SIM deu tudo certo, graças a Deus. Mas graças também a meu marido que é um herói. O MEU herói.

Nínive acredita SEMPRE que as coisas vão dar certo. Não somente no final.
Fotos tiradas do meu celular. Como sempre.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vai dar tudo certo!

  • Cid passou a semana fora fazendo vacinação assistida nas fazendas. Por conta disso, teve que cumprir horários duros como levantar as 4h30 da manhã, todo dia. Chegou ontem e foi só o tempo de arrumar a mala para hoje viajar de novo. Dessa vez para ir buscar a nossa mudança, há 1.000 km daqui.
  • Como o 'abençoado' desfez o combinado (rosnando), Cid foi ver preço de frete particular. A minha sogra e seu marido fizeram cinco orçamentos e acharam cotação entre R$ 3.500 e R$ 4.000,00 (rosnando e em posição de ataque), Cid não teve outra solução a não ser ir buscar ele mesmo nossas coisas (caim caim caim caim). Coitado do meu marido, fazer essa viagem de novo, nessa rodovia Transamazônica vergonhosa e ainda bate-volta: chega, carrega, toma banho, come alguma coisa e volta, para ver se consegue chegar aqui no domingo fim de dia ou segunda pela manhã. Ele conseguiu uma Ducato que não está lá essas coisas, mas no momento é o único utilitário que cabe nossos badulaques.
  • Não tem sido fácil ver o Cid ir e vir. Quando é trabalho eu sei que são viagens curtas e dá para nos falarmos, mas ter que voltar para as bandas de lá e com dia para voltar .... ai... que vontade de chorar. Vontande não: abri a bocona hoje quando ele me deu um abraço e disse que estava indo buscar as nossas coisas e fez um gesto com o indicador para ele e para mim. Nossas coisas!
  • Cheguei a perguntar essa semana se ele queria que eu fosse de companhia, mas ele achou melhor eu ficar com a Gatinha e sua tropa. Gastamos menos. Ela (a Gatinha) também deu um jeito de perguntar se Cid queria que ela fosse também. Como ela não sabe falar, agiu. Pegou gatinho por gatinho e o levou para dentro de casa, perto daonde estavam as coisas dele de viagem. Deitou e ficou.
  • E eu achando que só eu sentiria falta dele, posso com isso?

Boa viagem, amor meu!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Passiflora


"Essa sua vida dá um livro" disse Luciana Melo uma grande amiga minha agora há pouco.

Paro para pensar e concluo que eu deveria procurar um editor(a), porque dá mesmo.


Outro dia recebi um comentário no meu post Rapidinhas de uma colega de blog se mostrando chateada com minhas curtas "preconceituosas" sobre o estado do Pará. Demorei dias para respondê-la pois precisava refletir sobre o que eu quis dizer quando fiz esse post e o que ela sentiu quando o leu. Respondi no blog dela e no meu para que quem posteriormente lesse, visse que eu me preocupei em responder-lhe. Sempre repenso quando alguém me diz algo que contraria meu conceito inicial (vai que ela [a pessoa] tá certa?) e por isso vira e mexe me lembro do seu comentário. Hoje, mais uma vez me peguei pensando nela quando resolvi postar novamente minhas indignações com esse estado tão esquecido pelo país.


Vocês acreditam que:


1) as pessoas tiram o asfalto das ruas e colocam terra?

2) uma mulher certa vez foi até a nossa anterior casa com meu marido achando que ele estava lhe oferecendo serviços sexuais por R$ 50,00? Quando ela descobriu que era faxina ela não quis.

3) o antigo funcionário da outra unidade que roubou dinheiro do escritório e do Cid foi readmitido assim que meu marido foi transferido?

4) alguns nativos preferem comer farinha com água a ganhar uma grana para capinar nosso quintal?

5) quem é Belenense diz: "não existe outra capital melhor que a nossa", dai você pergunta: "qual outra você conhece?", ele responde "nenhuma".

6) que o cara 'de confiança' que iria trazer a nossa mudança, esperou o Cid chegar aqui para falar que o preço combinado não compensa e passou para outro cara. O cara que pegou aumentou o preço e não tivemos outra opção senão aceitar. Ai ele ligou no dia que ele iria sair de lá e disse que arrumou outro frete a preço melhor e por isso não vai mais trazer as nossas coisas.


Posso com um descaso desse? Com tanta falta de respeito?


Aí você me dirá, calma Nínive!


Estou tendo minha gente. Tem quase duas semanas que estou de favor na casa da chefe do Cid. No quarto dela. Não aguento mais de vergonha. Para acabar de escangalhar, com a chegada do Cid a Gatinha também veio. Mais prenha do que nunca. O cunhado da minha chefe e sua filha são alérgicos e estão tolerando com muito bom humor a minha felina que pariu de domingo para segunda três gatinhos. Cid e eu acompanhamos o parto e os acomodamos em um quartinho. Agora além de mim, estão sendo anfitriões dos meus gatos. Onde enfio a minha cara e o meu desconfiômetro?


Se você não sabe, eu sei: PASSIFLORA e cama.
Nínive quer dormir e acordar na nova casa com o marido, a Gatinha e seus filhinhos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Daqui prali

Hoje moro em um município com pouco mais de 15 mil habitantes no sudoeste do Pará. Estamos, Cid e eu, há 895.2468 km da capital com pouquissíma infra-estrutura, lazer zero, asfalto isso não nos pertence e falta de energia constante. Internet é luxo. Dentre outras coisas. Shopping, bares, restaurantes, clube.. ai ai, clube (tem uma cachoeira serve?). Clube não, isso é muito para esses lados de cá.

Dai que um dia surgiu um conversê que Cid poderia ser transferido. Nos animamos em uma semana e fomos desenganados na outra. Dez dias depois, uma nova conversa. Paramos de comprar as coisas para casa e a ver uma máquina fotográfica dos meus sonhos e quando estávamos in love, fuénnn. Na terceira vez pediram ao Cid um memorando e uma carta. Fizemos mandamos e
- Estamos no mês político e três meses antes e três depois não se faz admissão, trasnsferência, demissão.
Eu bocuda:
- Mas pelo amor de Deus amor, se não pode pra quê ficam dando esperança, na última até fizemos dois documentos. Prá quê? Para chegar lá e eles embargarem? Que sacanagem.
- Te acalma, aqui é tudo assim. Vai se acostumando.

Aí, há umas duas semanas, eu lá arrumando a cabeleira e chega Cid com a notícia:
- Saiu a transferência?
- Saiu?

- Saiu

- E agora?

- Agora é ir...

- Mas assim?

- Assim!


Viemos embora e ficamos esperando até ontem sair o tal do edital, oficialidade que autoriza efetivamente a sua remoção. Essa publicação está prevista entre o dia 10 e 15 desse mês. Até lá teremos tempo de arrumar as coisas com calma, até que.....

Hoje a tarde:
- Amor, vamos na sexta-feira tá?
- Da semana que vem?

- Não depois de amanhã?

- Hein?

- Sim, tu iria na frente para arrumar casa e agora eu vou te levar. Depois eu volto.

- ;)

Emoção é comigo mesmo. A viagem é doída, 700km de estrada de chão. Haja peitos. Já fiz mercado, vou arrumar uma caixa de isopor para levar umas coisinhas para comer e arrumar tooooda a minha mudança. As coisas maiores vão depois, fora isso vai tudo na camionete.

Até o final da semana voltarei à civilização. A nova cidade tem quase 100 mil habitantes. Fica no sudeste do Pará. Possui a maior usina hidrelétrica totalmente brasileira e é a quarta maior do mundo. Além disso, tem feira, restaurantes, bares, shopping, reserva, parque...... ahhhh maridinho, meu cartão de crédito com taxa mínina não lhe pertence mais.....

É isso, vou sumir porque até que eu ajeite as coisas deve levar uns 20 ou 30 dias. No mais eu passo aqui para dar um alô, se der.

Não se esqueçam de votar na Manu, a minha sobrinha que está concorrendo à Promoção Bebê Jhonson's. Vide post anterior.

Um beeeeijo: muah!


Nínive anda tão feliz, mas tão feliz que esqueceu de contar que achou que ia ser mãe outro dia, mas vai mesmo é ser avó: a Gatinha tá prenha.
Nínive também colocou um campo para quem quiser receber os newsletter do blog direto no e-mail.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Rapidinhas

* Aqui no Pará tem até internet. O que algumas vezes não tem mesmo é energia. Hunpft!

* Pelejo para ler os blogs, persquisar na internet e até mesmo escrever, mas aqui, estamos no tempo da manivela e isso quer dizer que eu aguardo uns 5 minutos para logar no blog. Guento não, hein?

* Cid seria transferido para um lugar com mais civilização e menos índio (se alguém daqui lê isso, tô no sal), mas por motivos políticos embargaram. Buááááá.

* Sou compradora fiel da Sack's. Há anos, uns seis pelo menos (sim, Cid se lembra de me ver comprar quando ainda namorávamos lááááá em 2003) e essa semana, após uns dois anos de espera, o perfume dos meus sonhos estava pela metade do preço, com 10% de desconto mais frete grátis. Fiz pressão psicológica, fiz biquinho, prometi amor ao Cid todas as noite da nossa vida e................... ganhei o perfume. Pedimos sexta-feira passada e pela minha localização (rs) chegaria em 5 dias úteis, ou seja, hoje. Quarta, um pouco depois do almoço, chega Cid com a caixa. Ele ficou impressionado (e eu também) com a rapidez, a entrega sedex e aqui né; fora do Brasil. Sacks que se deu bem, arrumou mais um comprador.

* Ontem foi dia de beber de novo com o marido: 14 latinhas, 12 de skol e 2 de Glacial. Ó os naipe das cervejas daqui. Depois fomos comer pizza e tomar guaraná. O daqui é Tuchaua. Não gosto. Bebi porque não tinha outro. Cid falou que eu não devia reclamar tanto. No Maranhão o guaraná se chama Jesus e é rosa. Onde eu vim amarrar meus cílios postiçOOOOOOOs.

* A Gatinha não quer saber de leite, carne, pão. O negócio dela é ração. Come até empanturrar e deita de barriga prá cima com a cabeça virada para o lado com a patinha no rosto. Se tiver uma calça ou bermuda do Cid no chão, aí é mole prá ela. Anda manhosa. Chora, estica a patinha. Se eu não pegar ela pula no colo. Tem lá suas manias: não gosta de ficar fechada, não dorme no escuro, adora um tapete, um paninho e agora tem dormido quase a noite toda dentro de casa. Cansou de caçar deve ser.Ou dar.

* Viajar aqui é interessante. Quando saimos normalmente vamos para uma cidade, a mais próxima civilizada. Boa parte da viagem é de estrada de chão com buracos e desvios. Nessas minhas indas e vindas sacudidas, andei reclamando e reivindiquei peitos novos e grandes. Quem sabe?

* Hoje, lá vamos nós de novo viajar. Pedi para o Cid me levar para dançar. A última vez que fomos, há quinze dias atrás, teve uma feira agropecuária. Ao final uma banda chamada Xeiro Verde, se apresentou. Eles tocam brega-tecno-melody. De longe a minha preferência musical, mas não tirei os olhos da performance dos bailarinos e do corpo, a batida contagiante. Estou impressionada com algumas coisas aqui, a música é uma delas.

* Nas ruas, as campanhas políticas continuam e os carros tocam paródias de brega-tecno-melody de algum político. É de rolar de rir. Três vezes para cá, três vezes para lá. Tem uma versão do rebolation também.

* Tem tanta coisa maluca aqui que eu deveria catalogar. Quando e se, um dia formos embora daqui, não quero me esquecer dessa experiência. Acho que nem tem como.

* Não consigo para de pensar na música e no povo todo dançando. Quem sabe eu largo minha profissão e não entro para o Balé Pará? Óoooooooooooooo.

* Ela tá Beba Doida é a sensação do momento. Bora ouvir!

Nínive coloca a música duas vezes e começa a fazer a coreografia para o Cid. Hilário.