Adoro sair para comer fora, para beber e para bater papo. Eu falo muito. Tanto, que quando não dou conta de tudo, sento e escrevo. Nessas ocasiões permito-me às inutilidades e falo de cara séria, assuntos de duplo sentido e de cara séria, discuto o mundo e suas excentricidades. Outro dia uma tia querida do coração me escreveu: você é a própria reencarnação da fênix. Enchi o peito como uma e quase voei.
Nessas incursões noturnas, ouço sobre economia, vulcão em erupção, política e câmbio monetário. Ouço de Tereza Cristina de Insensato Coração ao laudo oficial da morte da Amy Whinehouse. Ouço e só ouço. Esses são assuntos dos quais não tenho me inteirado e se deixar agora só falo de turismo. Continuo lendo. Mas parei na metade o “A Cabana” e estou relendo pela décima vez “Para Francisco”. Admito: tem um quê de melancolia impregnada em mim.
O sinônimo de melancolia, consultado rapidamente no dicionário do Word, é depressão, desânimo, fossa, nostalgia, tristeza. Que bom que tem a palavra nostalgia. Fossa me deixaria deprê demais. Poderia até ficar ressentida.
Sabe o que é ressentimento? Até o feriado achei que era mágoa. No dicionário aqui não apareceu nenhum sinônimo e eu não acho nem por reza brava o dicionário aqui de casa. Não precisa. Se eu separar a palavra, vou ter sua tradução.
Sentir novamente, não é necessariamente magoar-se. Mas pode ser nostalgia, que pode nos deixar triste e até na fossa. Mas também pode nos alegrar, nos inspirar. Sinta comigo: o tanto que é bom lembrar a noite anterior com seu amor e sentir um frio na barriga. O tanto que é bom ouvir a melhor amiga contando da sua bizarrice alcoólica e rir. O tanto que é bom lembrar o dia da sua colação de grau. O tanto que é bom tomar sorvete depois do almoço. O tanto que é bom abrir a boca e dizer o que sente. Francamente. Educadamente.
Suspirei melancolicamente agora. Mas não foi de tristeza. Foi de ressentimento.
“Lembro dessa burrice bonita de que é feita a última esperança. Lembro de insistir em não acreditar no que meus olhos gritavam para eu ver [...] lembro de estar cercada de uma verdade [...] atrás de mim, uma despedida que não foi. E acima da minha cabeça, um céu azul ensolarado, iluminado de realidade”.
Cristiana Guerra.
Estou assim porque estou com saudades. Porque não consigo chorar e porque não vou mais ouvir a voz dela e nem chamá-la mais de tia. A minha tia. A Tia Célia.
Nessas incursões noturnas, ouço sobre economia, vulcão em erupção, política e câmbio monetário. Ouço de Tereza Cristina de Insensato Coração ao laudo oficial da morte da Amy Whinehouse. Ouço e só ouço. Esses são assuntos dos quais não tenho me inteirado e se deixar agora só falo de turismo. Continuo lendo. Mas parei na metade o “A Cabana” e estou relendo pela décima vez “Para Francisco”. Admito: tem um quê de melancolia impregnada em mim.
O sinônimo de melancolia, consultado rapidamente no dicionário do Word, é depressão, desânimo, fossa, nostalgia, tristeza. Que bom que tem a palavra nostalgia. Fossa me deixaria deprê demais. Poderia até ficar ressentida.
Sabe o que é ressentimento? Até o feriado achei que era mágoa. No dicionário aqui não apareceu nenhum sinônimo e eu não acho nem por reza brava o dicionário aqui de casa. Não precisa. Se eu separar a palavra, vou ter sua tradução.
Sentir novamente, não é necessariamente magoar-se. Mas pode ser nostalgia, que pode nos deixar triste e até na fossa. Mas também pode nos alegrar, nos inspirar. Sinta comigo: o tanto que é bom lembrar a noite anterior com seu amor e sentir um frio na barriga. O tanto que é bom ouvir a melhor amiga contando da sua bizarrice alcoólica e rir. O tanto que é bom lembrar o dia da sua colação de grau. O tanto que é bom tomar sorvete depois do almoço. O tanto que é bom abrir a boca e dizer o que sente. Francamente. Educadamente.
Suspirei melancolicamente agora. Mas não foi de tristeza. Foi de ressentimento.
“Lembro dessa burrice bonita de que é feita a última esperança. Lembro de insistir em não acreditar no que meus olhos gritavam para eu ver [...] lembro de estar cercada de uma verdade [...] atrás de mim, uma despedida que não foi. E acima da minha cabeça, um céu azul ensolarado, iluminado de realidade”.
Cristiana Guerra.
Estou assim porque estou com saudades. Porque não consigo chorar e porque não vou mais ouvir a voz dela e nem chamá-la mais de tia. A minha tia. A Tia Célia.
"[...] lembrei de tudo que vivemos juntos, desde que a conheci com 4 anos, você mais morava na minha casa do que na sua, aquela menina cresceu, estudou e foi embora para longe [...] no coração eu não esquecia você, hoje te vejo e tenho todas as lembranças do passado que fomos muito felizes, nossa família e a sua e vocês todos pequenos [...] tenho tanto amor em você, como aos meus próprios filhos [...] um beijo e um forte abraço, tia Célia.
Trechos de uma carta que a tia Célia me escreveu em 31/07/2010".


30/10/1949-24/10/2011
Falaram para Nínive que saudade é o amor que ficou. Ressentimento também.



.jpg)


