Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


Mostrando postagens com marcador Cid. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cid. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O dia do meu casamento - ÚLTIMA PARTE

Lamento muitíssimo não ter tido a idéia de usar aqueles pontos em que o diretor fica falando com o apresentador, sabe? Mas eu queria ele no modo gravador para que eu pudesse ouvir depois tudo o que me disseram no dia do meu casamento. Ou então eu queria inventar uma filmadora visual, daquelas que depois a gente enfia um cabo usb na gente mesmo [não me pergunte onde], baixasse no pc e pudesse rever tudo que o que meus olhos viram. Sem ainda não ter visto nosso vídeo de casamento [porque ainda não ficou pronto e eu vou tentar resolver essa semana], tenho muito fresco em minha memória o olhar das pessoas ao me verem entrar, o cumprimento alegre que fizemos de mesa em mesa e os votos de felicidade agregadas a palavras de amor e de carinho por parte de todos os presentes.

Não sei se eu já disse, mas eu sempre sonhei com o dia da minha formatura e do baile. Minha colação de grau foi emocionante e o baile eu não tive. Penso em como teria sido a entrada com meu pai e a valsa e depois a festa com a turma toda. Não pude. Fico muito triste quando me lembro que esse sonho jamais se realizará e [para ser mais dramática] que vou levar para o caixão essa frustração [n-ú, agora eu aloprei hein].

Em contrapartida para o dia do casamento - programado, executado e realizado em 3 meses - consegui que algumas coisas fossem a minha cara. Não foi mais porque não deu tempo para eu pensar. Uma delas foi casar de batom vermelho e a outra dispensar a valsa e dançar para o meu marido. Não sei como tive coragem e fico com vergonha de lembrar que eu fiz isso. Mas, fiz!

Mandei colocarem o homem sentado na pista de dança e pedi para o DJ colocar a música. Em segundos, vem Nanda avisar que a música não tinha sido trocada e a nova que eu tinha escolhido ele não tinha gravado e nem tinha no seu repertório. Dei uma respirada e fui lá falar com ele. Pasma, não acreditei que ele não tinha no repertório Te Amo da Rihana. Botei a mão na cintura, olhei para a Nanda que quase suplicou: - "dança essa mesma, o Cid já está até sentado coitado". Olhei para trás e Cid já estava sendo ovacionado por estar naquela posição.

Caminhei até o meio do salão, olhei bem nos olhos dele e comecei a dançar. Não tive vergonha, não perdi o ritmo e fui me aproximando de um marido envergonhado. Sei que ele gostou, mas era muita gente olhando né coitado e aí não dá para relaxar. Era a nossa primeira dança casados.


Ao final da música, os convidados começaram a ocupar a pista de dança e eu comecei a relaxar e a querer aproveitar a festa. Protocolos cumpridos, comecei a tomar vinho e quis dar uma volta para ver nossos convidados antes de jantar. Eu tinha mais uma surpresa, só não tinha visto, mas quando avistei eu quis chorar. A pessoa que me viu nascer, que cuidou de mim, que ajudou a minha mãe me educar e a curar de uma queimadura de terceiro grau que eu sofri aos 11 meses de idade, estava ali. Minha babá estava me olhando de esgueio e encheu os olhos d'água quando eu me aproximei dela.

- Você está aqui, você veio, eu não acredito!
- Parabéns Nínive você está muito linda.
- Obrigada.
- Estou muito emocionada de vê-la casando. Te vi nascer e agora estou de vendo casar.
- Eu que estou, Lila.
- Você ainda tem a cicatriz?
- Tenho.
- Ela ficou grande? Você não quis tirar?
- Ficou. Já quis, mas ela está há 30 anos comigo, talvez eu não saiba mais viver sem ela.
- Me desculpa.
- Meu Deus, nãoooo, claro que não, que isso Lila.
- Estou tão emocionada ...


[ é o que eu consigo me lembrar]







Esse dia foi mágico eu ainda me emociono ao lembrar que me casei e que foi com o Cid.




Nínive confessa: já ensaiou a música Te Amo em casa, escondida do Cid. Várias vezes. E a coragem?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um beijo para o ano de 2010!

Lembro-me de ficar lamuriando o ano que se passou e desejar que o novo chegue logo para ser melhor. Esse ano foi o meu melhor. Tomei decisões e arquei com as consequências [assim como deve ser] e elas têm sido ótimas.

Esse, foi o ano da minha formatura, dos meus 30 anos, da minha mudança de casa, de cidade, de estado e de estado civil, do meu casamento e da minha nova vida a dois. Muita coisa boa sendo assimilada [na marra], às vezes me deixa apreensiva, às vezes em puro êxtase. Não somente eu, tenho sentido o baque da mudança; Cid também, mas acredito que as mulheres sabem lidar melhor com essas questões.

Quando chego em casa e vejo meu armário sendo ocupado por dois, pratos na mesa para dois, duas toalhas penduradas, arquivos no computador separados pelo nome do casal, tudo isso têm me deixado em uma grande zona de conforto e estou amando estar nessa situação. Tenho deixado Cid tomar as rédeas das coisas [ele adora] e não me sinto tão sobrecarregada ao ter que assumir uma decisão, sem ter tido alguém para ponderar.

Não ... não é só o fato de estar casada. É o simples episódio de ter sido com ELE. Não poderia ter havido escolha melhor. TENHO CERTEZA DISSO.

Além dessas questões românticas, há também o fato de estarmos a poucos dias de um novo ano e esse tema em especial me acomete a sentimentos de nostalgia. Sempre, sempre, nessa época reflito sobre o passado e projeto o futuro. Tudo será novo, de novo, mas o que foi merece momentos de instropecção, porque fomos, passamos, fizemos, merecemos, estudamos, lemos, acordamos, dormimos, passeamos, choramos, rimos ... e por fim chegamos aqui!

Por tudo isso, gostaria de desejar BOAS FESTAS e um 2011 FLORIDO a todos vocês!


Nínive deixa uma mensagem de SENTIMENTOS para seu desfrute.

Vale dos Sentimentos

Era uma vez chamado Vale dos Sentimentos. Lá moravam todos os sentimentos do mundo, cada qual com seu nome: alegria, riqueza, sabedoria, determinação. Apesar de serem tão diferentes, se davam muito bem. Até os sentimentos como orgulho, tristeza e vaidade não tinham problemas entre si. Mas era lá no fundo do vale, na última das casinhas que morava o mais bonito de todos os sentimentos. O AMOR. Ele era tão bom que quando os outros sentimentos chegavam perto dele ficavam mudados porque eles sabiam que dentre eles, o amor era o melhor. Porém no mesmo vale, num lugar mais afastado havia um castelo. E lá também morava um sentimento, só que não tinha nadinha de bom... Era a raiva. E a raiva, de tão ruim que era, não gostava dos moradores do vale. Por isso, quando acordava de mau humor fazia de tudo para estragar a beleza do lugar. Certo dia, teve uma boa idéia. Foi até o calabouço e preparou a poção mais esquisita e estraga-prazeres de que se teve notícias. A fumaça da poção tomou conta do lugar, do vale e se transformou numa tempestade como nunca se tinha visto antes. Quando o vale se encheu de raios, chuvas e ventos, todos correram para se proteger. O egoísmo foi o primeiro a se esconder, deixando todos para traz. A alegria deu risada de alívio por ter se salvado rapidinho. A riqueza recolheu tudo que era seu, antes de se abrigar. A tristeza, a sabedoria, a vaidade, todos conseguiram chegar as suas casas a tempo. Todos, menos o amor.

Ele estava tão preocupado em ajudar aos outros que acabou ficando pra trás. Então uma coisa aconteceu. Um raio bem forte caiu sobre o vale atingindo o amor. A raiva deu sua tarefa por cumprida e foi dormir. Quando a tempestade passou, os sentimentos puderam abrir as janelas aliviados. Mas ao saírem eles sentiram uma coisa diferente no ar, o que nunca tinham sentido antes. Foi então que eles viram...
- O que aconteceu com o amor?
- Ele não se mexe ...
- Tá tão parado que parece que ... morreu.

Nisso a tristeza começou a chorar. O orgulho não aceitava. Disse que era mentira. A riqueza disse que era um desperdício. E a alegria pela primeira vez, não sorriu.

Foi ai que uma coisa estranha começou a acontecer. Os sentimentos começaram a ter desavenças, porque sem o amor para uni-los, as diferenças apareceram. A situação já estava bem ruim quando eles repararam que estavam sendo observados. Alguém que eles nunca tinham visto ali antes. Então, o estranho se ajoelhou na frente do amor, tocou-o calmamente e ele abriu os olhos.
- Ele não morreu. O amor não morreu. Gritaram todos. Foi ai que puderam ver o rosto do estranho que se chamava Tempo. E todos comemoraram porque o amor estava vivo e sempre vai estar, porque não há nada que acabe com o amor tendo o Tempo ao seu lado para ajudá-lo.

E sabe o que aconteceu com o Amor e o Tempo? Eles se uniram e tiveram três filhos: experiência, perdão e compreensão, que moram até hoje no vale dos sentimentos, lá no fundindo do coração.

"Quando procuramos o bem nas outras pessoas, descobrimos o que há de melhor em nós mesmos".


Autor desconhecido [mas foi a mamãe quem me mandou por e-mail].


domingo, 19 de dezembro de 2010

Meu herói

Sabe quando a gente conta uma situação desastrosa que está acontecendo na nossa vida e a pessoa ou nos escuta impacientemente, isto é, fica interrompendo sem cessar ou espera a gente terminar para dizer:


- Calma, no final tudo dá certo, se não deu, é porque o fim não chegou.

Eu nunca gostei dessa frase, acho-a clichê do tipo: a pessoa não tem nada para dizer e perdeu uma boa chance de ficar calada. Além disso acho também que a pessoa está desmerecendo o momento que é de tristeza, stress ou luto. Por que o que interessa é só a parte final? Por que não é dado o devido crédito do momento de transição aflitivo e angustiante? Por que a gente tem que ter calma se o momento pede outro estado de espírito? A calma é para o fim, quando tudo 'enfim', estará bem não é mesmo?

Hoje meu momento é de plena calmaria, bem a cara do fim, mas as semanas que antecederam esse bonito fim, foram de extrema tensão e eles precisam do registro, pois foi a única forma que encontrei de externar e por fim à dor, à tristeza, á fome, o medo, o cansaço, o stress, a aflição e a angústia que o Cid passou.

Ele viajou numa sexta para chegar domingo e na verdade Cid só conseguiu chegar no final da outra semana. Tudo o que podia dar errado deu, até que - passado a provação possível e inimaginável - ele começou a viagem de volta. A mudança chegou primeiro, já que o caminhão já locado com todas as nossas mudanças dentro, não coube a Ducato, no prego. Tentaram de todo jeito e tiveram que descer o carro e ele teve que ir atrás de outro caminhão. Recebi junto com a mudança, notícias do Cid e fiquei sabendo com riqueza de detalhes tudo o que aconteceu.

Primeiro tentaram voltar com a Ducato de cambão e estrada de terra com caminhão na frente é igual a colocar uma bala no revólver e ficar brincando de vida ou morte com alguém. O caminhão fazia poeira e Cid não enxergava para que lado a estrada corria então ele só via a ora da curva quando já estava em cima dela. Hora o caminhão estava devagar, hora rápido e nessa problemática cada vez que Cid tinha dificuldade ele buzinava e dava sinal com farol: quem disse que o motorista via? Cid viajou 200 km puxado correndo o risco de morrer a cada curva. Deus olhou por ele e para o motorista que resolveu parar e perguntar se estava tudo bem e se Cid queria continuar. Cid estava desesperado, queria ter parado nos primeiros 20 km e agradeceu o cara e ele seguiu viagem até aqui.

Minha mudança chegou em perfeito estado e fiquei feliz por saber que só mais um pouco Cid estaria aqui.

O processo de arrumar outro caminhão para trazer o utilitário foi resolvido graças a um amigo que virou um daqueles melhores amigos do Cid. Ele fez de tudo, absolutamente tudo para ajeitar a volta do Cid e graças a ele, meu marido conseguiu um outro caminhão e a sua volta - enfim - começara.

O motorista também estava fazendo um frete para um rapaz com dois irmãos, então vieram na frente o motorista, um rapaz e dois meninos, atrás veio a Ducato, a mudança deles e dois cachorros amarrados com corda pelo pescoço. Cid veio espremido, mas os cachorros vieram sambando, coitados.

Na quinta, por volta das 15h, Cid me liga e avisa que estava na entrada da cidade. Meu coração encheu de alegria e quis chorar, mas segurei. Quando o avistei, precisei segurar a emoção: Cid estava imundo, descabelado, barbudo, abatido e depois fiquei sabendo que ele estava sem comer, sem dormir e que tinha passado uma noite deitado no chão em cima de uma blusa e uma bermuda, as menos sujas que ele tinha. Quando Cid viajou eu arrumei roupa para 4 dias, mas na verdade ele ficou 10, em virtude disso ele ficou usando roupa suja durante uma semana e roupa suja no Pará não é igual a roupa suja no Espírito Santo, Minas ou São Paulo. Aqui a roupa fica bege quando está suja e marrom café quando está imunda. Cid estava parecendo uma borra de café de longe. Por ficar usando roupa suja, Cid que é branco-transparente ficou com a pele encardida e encheu toooooooooooooo-do de espinha, daquelas vermelhonas que inflamam. Estava de dar dó.

Desci do carro e abracei o Cid. Beijei-o na boca e disse que estava feliz por ter chegado. Sua viagem ainda não tinha terminado. O caminhoneiro deixou a água do radiador acabar e o caminhão deu pau há 10km da cidade, ou seja, Cid teve que pedir carona e chegar até aqui para pedir ajuda.

Em casa, Cid foi tomar banho e pediu roupas limpas. Eram umas 17h quando ele me disse que estava sem almoço, sem banho, sem dormir. As 20h ele quis comer de novo. A janta né. Deitou para ver tv e apagou.

Hoje estamos muito bem instalados na casa nova. Semana passada consegui colocar tudo no lugar e já fizemos um almoço de inauguração/comemoração. Só para ele e eu. Brindamos nossa primeira refeição em nosso lar.


Carneiro assado na brasa


No fim SIM deu tudo certo, graças a Deus. Mas graças também a meu marido que é um herói. O MEU herói.

Nínive acredita SEMPRE que as coisas vão dar certo. Não somente no final.
Fotos tiradas do meu celular. Como sempre.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vai dar tudo certo!

  • Cid passou a semana fora fazendo vacinação assistida nas fazendas. Por conta disso, teve que cumprir horários duros como levantar as 4h30 da manhã, todo dia. Chegou ontem e foi só o tempo de arrumar a mala para hoje viajar de novo. Dessa vez para ir buscar a nossa mudança, há 1.000 km daqui.
  • Como o 'abençoado' desfez o combinado (rosnando), Cid foi ver preço de frete particular. A minha sogra e seu marido fizeram cinco orçamentos e acharam cotação entre R$ 3.500 e R$ 4.000,00 (rosnando e em posição de ataque), Cid não teve outra solução a não ser ir buscar ele mesmo nossas coisas (caim caim caim caim). Coitado do meu marido, fazer essa viagem de novo, nessa rodovia Transamazônica vergonhosa e ainda bate-volta: chega, carrega, toma banho, come alguma coisa e volta, para ver se consegue chegar aqui no domingo fim de dia ou segunda pela manhã. Ele conseguiu uma Ducato que não está lá essas coisas, mas no momento é o único utilitário que cabe nossos badulaques.
  • Não tem sido fácil ver o Cid ir e vir. Quando é trabalho eu sei que são viagens curtas e dá para nos falarmos, mas ter que voltar para as bandas de lá e com dia para voltar .... ai... que vontade de chorar. Vontande não: abri a bocona hoje quando ele me deu um abraço e disse que estava indo buscar as nossas coisas e fez um gesto com o indicador para ele e para mim. Nossas coisas!
  • Cheguei a perguntar essa semana se ele queria que eu fosse de companhia, mas ele achou melhor eu ficar com a Gatinha e sua tropa. Gastamos menos. Ela (a Gatinha) também deu um jeito de perguntar se Cid queria que ela fosse também. Como ela não sabe falar, agiu. Pegou gatinho por gatinho e o levou para dentro de casa, perto daonde estavam as coisas dele de viagem. Deitou e ficou.
  • E eu achando que só eu sentiria falta dele, posso com isso?

Boa viagem, amor meu!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Passiflora


"Essa sua vida dá um livro" disse Luciana Melo uma grande amiga minha agora há pouco.

Paro para pensar e concluo que eu deveria procurar um editor(a), porque dá mesmo.


Outro dia recebi um comentário no meu post Rapidinhas de uma colega de blog se mostrando chateada com minhas curtas "preconceituosas" sobre o estado do Pará. Demorei dias para respondê-la pois precisava refletir sobre o que eu quis dizer quando fiz esse post e o que ela sentiu quando o leu. Respondi no blog dela e no meu para que quem posteriormente lesse, visse que eu me preocupei em responder-lhe. Sempre repenso quando alguém me diz algo que contraria meu conceito inicial (vai que ela [a pessoa] tá certa?) e por isso vira e mexe me lembro do seu comentário. Hoje, mais uma vez me peguei pensando nela quando resolvi postar novamente minhas indignações com esse estado tão esquecido pelo país.


Vocês acreditam que:


1) as pessoas tiram o asfalto das ruas e colocam terra?

2) uma mulher certa vez foi até a nossa anterior casa com meu marido achando que ele estava lhe oferecendo serviços sexuais por R$ 50,00? Quando ela descobriu que era faxina ela não quis.

3) o antigo funcionário da outra unidade que roubou dinheiro do escritório e do Cid foi readmitido assim que meu marido foi transferido?

4) alguns nativos preferem comer farinha com água a ganhar uma grana para capinar nosso quintal?

5) quem é Belenense diz: "não existe outra capital melhor que a nossa", dai você pergunta: "qual outra você conhece?", ele responde "nenhuma".

6) que o cara 'de confiança' que iria trazer a nossa mudança, esperou o Cid chegar aqui para falar que o preço combinado não compensa e passou para outro cara. O cara que pegou aumentou o preço e não tivemos outra opção senão aceitar. Ai ele ligou no dia que ele iria sair de lá e disse que arrumou outro frete a preço melhor e por isso não vai mais trazer as nossas coisas.


Posso com um descaso desse? Com tanta falta de respeito?


Aí você me dirá, calma Nínive!


Estou tendo minha gente. Tem quase duas semanas que estou de favor na casa da chefe do Cid. No quarto dela. Não aguento mais de vergonha. Para acabar de escangalhar, com a chegada do Cid a Gatinha também veio. Mais prenha do que nunca. O cunhado da minha chefe e sua filha são alérgicos e estão tolerando com muito bom humor a minha felina que pariu de domingo para segunda três gatinhos. Cid e eu acompanhamos o parto e os acomodamos em um quartinho. Agora além de mim, estão sendo anfitriões dos meus gatos. Onde enfio a minha cara e o meu desconfiômetro?


Se você não sabe, eu sei: PASSIFLORA e cama.
Nínive quer dormir e acordar na nova casa com o marido, a Gatinha e seus filhinhos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Causo VI

Cid e eu viajamos 1.000 km, mas foi como se tivéssemos viajado 3.000.
A estrada está péssima péssima e segundo Cid, se ele fosse camioneiro iria fazer um movimento de fecha e pedir a presença da nova 'presidenta' eleita para ver o descaso com a Rodovia Transamazônica. Mas ela não poderia ir de helicóptero: teria que ir como fomos, de carro. Teve trecho que fizemos a 40km/h tamanha erosão e tiveram outros que a camionete pulava tanto que eu parecia a Joelma do Calypso in locco:
- Amor, a camionete tá balançando eu sei, mas prá quê tu tá mexendo essa cabeleira desse jeito?

Domingo chegamos à nossa nova e bonitinha cidade. Aqui é uma graça e procurando casa conheci vários bairros e já me sintonizando aos poucos. Antes de ontem, fechei com a dona a locação de uma. Ela é tãoooo bonitinha.

Cid chega quarta com a Gatinha que está moja. Vai parir ao qualquer momento. Pois é, pois é, meu amado marido precisou voltar para acabar de acertar a vinda do restante da mudança e deixar seus relatórios em ordem. Fez a viagem de volta sozinho :( ... e eu tô morrendo de saudade dele... sniff... sniff.

Como eu não sei ficar sem dar bafão, lá vai mais uma: desde ontem que estou tentando sacar dinheiro no caixa eletrônico, mas como o meu cartão está com um arranhadinho, o leitor não estava identificando. Foi com esse "problema na leitura do seu cartão" que me fez rodar mais de um caixa e por fim, mais de um banco. Hoje aproveitei que um funcionário do novo escritório do Cid iria sair e lhe pedi uma carona até outra agência. A esperta aqui foi depois do horário de atendimento e correu de novo o risco de ficar sem grana. Tentei umas duzentas vezes e antes que eu começasse a dança da bicicletinha, vi um gerente sair para atender alguém bem próximo daonde eu estava. Esperei ele desocupar e:
- Boa tarde, eu vim de Minas (quando vi ja tinha falado), cheguei essa semana e estou tentando sacar, mas por causa desse arranhado, o leitor não está lendo.
- Ah, então a senhora não é daqui?
- Não, mas me mudei, já até aluguei uma casa, sabe ali no bairro (e falei o nome dele), pois é, aluguei lá, paguei um pouco e meu marido quando chegar vai quitar o restante. Ele vai chegar na próxima quarta e estou com a carteira zerada (abri a carteira pra ele ver)....ele é funcionário da Adepará, eu vim de carona, o carro ali ó (e apontei).... pode me ajudar?
- O problema é que a agência da senhora não é daqui, então não vai ter outro cartão prá senhora né?
- É não vai (e devo ter feito um biquinho).
- Coloca o cartão e vai chegando ele prá esquerda e prá direita.
- Cuma?

Fomos ao caixa, engatei o cartão e comecei a fazer o tal movimento quando ele:
- Mas o cartão é do outro lado senhora.
- Ah tá brigadu.


Nínive é caipira demais. Anemmmmmmmmmmmmmm.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CAUSO - 2º turno das eleições de 2010

Na fila para justificar o meu voto, ouvi uma moça dizer que ela iria votar só no primeiro turno. Caso desse o segundo, nem lá ela iria aparecer. Ouvindo isso, olhei para o Cid e sorri. Coisas do Pará ele quis me dizer com os olhos, já que a moça estava bem na nossa frente.

Discorrendo longamente sobre esse assunto, perguntei ao Cid o que acontece quando alguém não vota ou não justifica o voto.

- Depende. Lá no Brasil, a pessoa não pode viajar para o exterior, não pode prestar concurso público, abrir conta em banco, tirar passaporte ... essas coisas, agora aqui no Pará não deve acontecer nada; a maioria, muitas vezes nem tem o devido conhecimento. Tem cabra aí com família que fica 20 anos sem ir na cidade, não tem televisão, energia ... isso é muito comum aqui, em vicinais que o censo não vai, nem sabem que tem gente morando. ..
- Como nas favelas?
- Sim, por exemplo, não é todo mundo que tem acesso às favelas, se os traficantes resolvem não deixar ninguém descer para votar, ninguém desce. Depois vai lá e justifica.
- E os traficantes?
- O que tem eles?
- Não votam?
- Votam Nínive, eles descem com o seu fuzil AR 15 nas costas, fazem a fila e votam kkkkkkkkkkkkkkkk.
- Hum.. é né, eles não votam , claro .... .... .... e o que acontece com eles?
- Nada.
- Como nada? Eles perdem seus direitos uai.
- Que direitos Nínive? De prestar concurso? Já viu traficante fazendo prova de concurso? Tirar passaporte? Já viu traficante em aeroporto? Abrir conta em banco?
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
- Ô meu amor, quero ver tu colocar esses seus fora no blog.
- O povo que me lê já tá acostumado, amor.

Postado.

Agora quem não está nem um pouco preocupada em ficar sem tirar passaporte, prestar concurso, abrir conta em banco, quiçá com o pióquitánumfica, é essa gracinha aqui. Espia.

Na calça do papai ...

... sorrindo, porque não sou eu quem lavo mesmo!

Gatinha grávida...

... de ração.



Nínive anda grávida também, de tanta besteira que come. O dia todo.
Nínive também quer se desculpar pela foto do chão queimado. Não tenho corel draw e é resultado de uma extrema habilidade em fazer churrasco com os equipamentos corretos: carvão, tijolo, grelha e ir dormir sem apagar o carvão (cuma?). Ah, mas incendiar está se tornando meu cartão de visita, diga aê.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O dia do meu casamento - PARTE II

Sorrindo e tentando desempacar do tapete, andando e olhando para os padrinhos, madrinhas chorando, mamãe chorando e eu fincada na chón. Rafael começou a me conduzir.


Quando chegamos, ele beijou a minha mão, abraçou o Cid e me entregou para ele.


Minha família é Testemunha de Jeová e a do Cid é católica, por isso, para não desrespeitar a consciência religiosa de ambos lados, optei por um discurso bíblico que não tivesse conotação ecumênica porque não concordo com 'vamos agradar a todos os deuses'. Então, pedi ao meu tio que fizesse um discurso simples, que despertasse interesse nos ouvintes e que não ferisse a religiosidade dos nossos convidados. Meu tio fez um excelente e breve aconselhamento, com base nas Escrituras Sagradas, informando-nos como devemos agir enquanto marido e mulher na prática. Não aguentei e chorei, tamanha delicadeza das suas palavras. Chorando ele disse:
- Casei minhas duas filhas em um ano e não fiquei tão emocinado como estou te vendo casar.

Pausa para os olhos cheios d'água
.

Após o discurso, fizemos os votos:

"Eu Cid, aceitei a ti Nínive, como minha esposa legítima, para amar e prezar em harmonia com a lei divina, conforme especificado nas Escrituras Sagradas, para os maridos, pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus".


"Eu Nínive, aceitei a ti Cid, como meu marido legítimo, para amar e prezar, e respeitar profundamente, em harmonia com a lei divina, conforme especificada nas Escrituras Sagradas para as esposas cristãs, pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus".


Em seguida, entra a nossa fofa pajem Luísa ao som de Beauty and the Beast - Celine Dion com as nossas alianças.

"Pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus."

Amém.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O dia do meu casamento - PARTE I

Ao ficar pronta, definitivamente, percebi que eu estava um pouco em cima da hora já que eu disse com todas as letras que eu não em atrasaria. Às oito badaladas e meia, Cid entraria ao som de Another Day In Paradise do Phill Collins.

Contudo, entretanto, porém, Cid e eu preparamos uma homenagem (com a ajuda da Nanda, sempre) em vídeo que passaria no telão. Essa homenagem era em memória à vó Sinhá que morreu em junho aos 102 anos e lúcida, conheceu a sua tataraneta de um ano (ainda falarei sobre ela aqui). Nanda levou até o DJ o Cd feito caseiramente por ela. Um mimo. Como ele não testou antes, lógico não rodou. Meu pai pegou o namorado da Nanda e o levou em casa para ele converter o programa em outro. De volta ao salão de festa, o DJ testou de novo e nada. Papai de novo, pegou o Alex, levou em casa, que fez nova conversão. Voltaram para o salão de festa e arebaba! tic? funcionou. Isso levou pelo menos meia hora. Eu não sabendo de nada, liguei no celula do papai já querendo dar um derrame e cair dura, com a língua de lado.

- Pai, o senhor já está chegando?
- Mas você está pronta filhinha? - ele era quase um Jó quando me fez a pergunta.
- Sim - eu era quase uma Périsrilton respondendo.

No carro, percebi papai me olhando pelo retrovisor e então ele ficou falando que estava tudo certo, tudo arrumado, que todo mundo já tinha chegado e que tinha dado um pequeno probleminha com o cd mas que também já tinha sido resolvido.

Na porta do salão minha ansiedade - que já tinha dado tudo de si - mostrou as suas asinhas:
- Pai, desliga o ar, estou com frio, olha as minhas mãos, estou gelada.

Cinco minutos depois:
- Pai, liga o ar por favor, estou supitando.

Olhei pela janela e vi a cerimonialista confirmando a minha chegada com a equipe e então a música do Cid começou a tocar. Parecia que eu iria desmanchar em suor, meu corpo tremia todo e um papel que estava na minha mão, começou a se desfazer. Fui eu quem montei o protocolo e o cerimonial do meu casamento, por isso, mesmo naquele momento eu não era só a noiva: era quem estava também checando e acompanhando as entradas de longe.

Em seguida, entraram a mamãe com o pai do Cid: My Way - Elvis Presley
As nossas avós: I Want to Know I What Love Is - Mariah Carey
Nossos padrinhos: Vivo per Lei - Andréa Bocceli e Laura Pausini
Nossas duas pajens (irmãs do Cid): Halo - Beyoncé

Quando todos entraram e se acomodaram, os fotógrafos (vídeo e filmagem) foram para o carro. Minha hora tinha chegado e eu ainda não sei dizer se eu estava com frio ou com calor.


Desci.
Lembro-me de ter ouvido minha principal cerimonialista dizer o que eu tinha lhe pedido: peça as pessoas que ao entrarem, andem devagar, respirando e sorrindo. E claro, não esquecer de me dizer o mesmo.

Assim que me posicione, vi cabecinhas esticando lá na frente. Olhei para o DJ que esperava meu sinal. Pedi para fechar umas portas quando me disseram que a entrada tinha sido mudada. Pronto, a tremedeira começou. Eu parecia uma britadeira. Respira, bolha... vamos lá... .

Pisquei para o DJ.
A minha tão sonhada música, a que eu ouvi todos os dias até uns dias antes de me casar, a que em Vitória fingia segurar um buquê e me imaginava entrando, estava tocando. Eu quis ter certeza que eu estava ouvindo Only Time - Enya. Entrei ... sozinha, leve, devagar, olhando para as pessoas, tentando identificá-las. Sorria, andava devagar, parava, sorria, olhava para os lados.


No meio do caminho, meu irmão veio me conduzir. Acho que ele se apressou um pouco.... Eu estava tão leve, tão devagar. Dei o braço para ele e (achei que) continuei andando.

- Anda Nínive.
- Estou andando.

- Tá não.



Ah ele nessa última foto me puxando pelo braço.