Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


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terça-feira, 1 de março de 2011

Tentando contar ...



Perdi o sono na noite de ontem e danei a mandar torpedos prazamigas. Para uma, desabafei e contei porque eu perdi o sono. Isso tem acontecido frequentemente e vez ou outra, sou obrigada a levantar da cama e tomar um remedinho que a mamis deixou.
- Quatro gotinhas Nínive, não mais que isso.
Deixo escapar a quinta.

Agora há pouco por msn uma amiga me contou que fez um acordo com Deus. Só vai voltar a fazer aquelas coisas se o pai dela se converter. A coitada anda tendo ataques frebris e depois quis me convencer que era o calor em Vitória. Aham. Ou o pai se converte ou ela se casa. Depois que casar pode. Ufa! Coitado do namorado. Não satisfeita ainda fez outra promessa: a de ficar sem cortar os cabelos até casar.

Estupefata, enumerei:

1) casar é muito bom, eu quero isso para a minha vida;
2) casar é um exercício de convivência com o próximo;
3) casar indubitavelmente com a pessoa certa e com muito amor;
4) casamento é cumplicidade, amor, união, respeito, admiração e muita mas MUITA paciência;
5) casamento NÃO é namoro, mas mesmo em tempos difíceis eu tive vontade de fazer amor com ele todos os dias;
6) quem pensa não casa;
7) você pode também comprar uma bicicleta.




Nínive tá tentando contar...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O dia do meu casamento - ÚLTIMA PARTE

Lamento muitíssimo não ter tido a idéia de usar aqueles pontos em que o diretor fica falando com o apresentador, sabe? Mas eu queria ele no modo gravador para que eu pudesse ouvir depois tudo o que me disseram no dia do meu casamento. Ou então eu queria inventar uma filmadora visual, daquelas que depois a gente enfia um cabo usb na gente mesmo [não me pergunte onde], baixasse no pc e pudesse rever tudo que o que meus olhos viram. Sem ainda não ter visto nosso vídeo de casamento [porque ainda não ficou pronto e eu vou tentar resolver essa semana], tenho muito fresco em minha memória o olhar das pessoas ao me verem entrar, o cumprimento alegre que fizemos de mesa em mesa e os votos de felicidade agregadas a palavras de amor e de carinho por parte de todos os presentes.

Não sei se eu já disse, mas eu sempre sonhei com o dia da minha formatura e do baile. Minha colação de grau foi emocionante e o baile eu não tive. Penso em como teria sido a entrada com meu pai e a valsa e depois a festa com a turma toda. Não pude. Fico muito triste quando me lembro que esse sonho jamais se realizará e [para ser mais dramática] que vou levar para o caixão essa frustração [n-ú, agora eu aloprei hein].

Em contrapartida para o dia do casamento - programado, executado e realizado em 3 meses - consegui que algumas coisas fossem a minha cara. Não foi mais porque não deu tempo para eu pensar. Uma delas foi casar de batom vermelho e a outra dispensar a valsa e dançar para o meu marido. Não sei como tive coragem e fico com vergonha de lembrar que eu fiz isso. Mas, fiz!

Mandei colocarem o homem sentado na pista de dança e pedi para o DJ colocar a música. Em segundos, vem Nanda avisar que a música não tinha sido trocada e a nova que eu tinha escolhido ele não tinha gravado e nem tinha no seu repertório. Dei uma respirada e fui lá falar com ele. Pasma, não acreditei que ele não tinha no repertório Te Amo da Rihana. Botei a mão na cintura, olhei para a Nanda que quase suplicou: - "dança essa mesma, o Cid já está até sentado coitado". Olhei para trás e Cid já estava sendo ovacionado por estar naquela posição.

Caminhei até o meio do salão, olhei bem nos olhos dele e comecei a dançar. Não tive vergonha, não perdi o ritmo e fui me aproximando de um marido envergonhado. Sei que ele gostou, mas era muita gente olhando né coitado e aí não dá para relaxar. Era a nossa primeira dança casados.


Ao final da música, os convidados começaram a ocupar a pista de dança e eu comecei a relaxar e a querer aproveitar a festa. Protocolos cumpridos, comecei a tomar vinho e quis dar uma volta para ver nossos convidados antes de jantar. Eu tinha mais uma surpresa, só não tinha visto, mas quando avistei eu quis chorar. A pessoa que me viu nascer, que cuidou de mim, que ajudou a minha mãe me educar e a curar de uma queimadura de terceiro grau que eu sofri aos 11 meses de idade, estava ali. Minha babá estava me olhando de esgueio e encheu os olhos d'água quando eu me aproximei dela.

- Você está aqui, você veio, eu não acredito!
- Parabéns Nínive você está muito linda.
- Obrigada.
- Estou muito emocionada de vê-la casando. Te vi nascer e agora estou de vendo casar.
- Eu que estou, Lila.
- Você ainda tem a cicatriz?
- Tenho.
- Ela ficou grande? Você não quis tirar?
- Ficou. Já quis, mas ela está há 30 anos comigo, talvez eu não saiba mais viver sem ela.
- Me desculpa.
- Meu Deus, nãoooo, claro que não, que isso Lila.
- Estou tão emocionada ...


[ é o que eu consigo me lembrar]







Esse dia foi mágico eu ainda me emociono ao lembrar que me casei e que foi com o Cid.




Nínive confessa: já ensaiou a música Te Amo em casa, escondida do Cid. Várias vezes. E a coragem?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um beijo para o ano de 2010!

Lembro-me de ficar lamuriando o ano que se passou e desejar que o novo chegue logo para ser melhor. Esse ano foi o meu melhor. Tomei decisões e arquei com as consequências [assim como deve ser] e elas têm sido ótimas.

Esse, foi o ano da minha formatura, dos meus 30 anos, da minha mudança de casa, de cidade, de estado e de estado civil, do meu casamento e da minha nova vida a dois. Muita coisa boa sendo assimilada [na marra], às vezes me deixa apreensiva, às vezes em puro êxtase. Não somente eu, tenho sentido o baque da mudança; Cid também, mas acredito que as mulheres sabem lidar melhor com essas questões.

Quando chego em casa e vejo meu armário sendo ocupado por dois, pratos na mesa para dois, duas toalhas penduradas, arquivos no computador separados pelo nome do casal, tudo isso têm me deixado em uma grande zona de conforto e estou amando estar nessa situação. Tenho deixado Cid tomar as rédeas das coisas [ele adora] e não me sinto tão sobrecarregada ao ter que assumir uma decisão, sem ter tido alguém para ponderar.

Não ... não é só o fato de estar casada. É o simples episódio de ter sido com ELE. Não poderia ter havido escolha melhor. TENHO CERTEZA DISSO.

Além dessas questões românticas, há também o fato de estarmos a poucos dias de um novo ano e esse tema em especial me acomete a sentimentos de nostalgia. Sempre, sempre, nessa época reflito sobre o passado e projeto o futuro. Tudo será novo, de novo, mas o que foi merece momentos de instropecção, porque fomos, passamos, fizemos, merecemos, estudamos, lemos, acordamos, dormimos, passeamos, choramos, rimos ... e por fim chegamos aqui!

Por tudo isso, gostaria de desejar BOAS FESTAS e um 2011 FLORIDO a todos vocês!


Nínive deixa uma mensagem de SENTIMENTOS para seu desfrute.

Vale dos Sentimentos

Era uma vez chamado Vale dos Sentimentos. Lá moravam todos os sentimentos do mundo, cada qual com seu nome: alegria, riqueza, sabedoria, determinação. Apesar de serem tão diferentes, se davam muito bem. Até os sentimentos como orgulho, tristeza e vaidade não tinham problemas entre si. Mas era lá no fundo do vale, na última das casinhas que morava o mais bonito de todos os sentimentos. O AMOR. Ele era tão bom que quando os outros sentimentos chegavam perto dele ficavam mudados porque eles sabiam que dentre eles, o amor era o melhor. Porém no mesmo vale, num lugar mais afastado havia um castelo. E lá também morava um sentimento, só que não tinha nadinha de bom... Era a raiva. E a raiva, de tão ruim que era, não gostava dos moradores do vale. Por isso, quando acordava de mau humor fazia de tudo para estragar a beleza do lugar. Certo dia, teve uma boa idéia. Foi até o calabouço e preparou a poção mais esquisita e estraga-prazeres de que se teve notícias. A fumaça da poção tomou conta do lugar, do vale e se transformou numa tempestade como nunca se tinha visto antes. Quando o vale se encheu de raios, chuvas e ventos, todos correram para se proteger. O egoísmo foi o primeiro a se esconder, deixando todos para traz. A alegria deu risada de alívio por ter se salvado rapidinho. A riqueza recolheu tudo que era seu, antes de se abrigar. A tristeza, a sabedoria, a vaidade, todos conseguiram chegar as suas casas a tempo. Todos, menos o amor.

Ele estava tão preocupado em ajudar aos outros que acabou ficando pra trás. Então uma coisa aconteceu. Um raio bem forte caiu sobre o vale atingindo o amor. A raiva deu sua tarefa por cumprida e foi dormir. Quando a tempestade passou, os sentimentos puderam abrir as janelas aliviados. Mas ao saírem eles sentiram uma coisa diferente no ar, o que nunca tinham sentido antes. Foi então que eles viram...
- O que aconteceu com o amor?
- Ele não se mexe ...
- Tá tão parado que parece que ... morreu.

Nisso a tristeza começou a chorar. O orgulho não aceitava. Disse que era mentira. A riqueza disse que era um desperdício. E a alegria pela primeira vez, não sorriu.

Foi ai que uma coisa estranha começou a acontecer. Os sentimentos começaram a ter desavenças, porque sem o amor para uni-los, as diferenças apareceram. A situação já estava bem ruim quando eles repararam que estavam sendo observados. Alguém que eles nunca tinham visto ali antes. Então, o estranho se ajoelhou na frente do amor, tocou-o calmamente e ele abriu os olhos.
- Ele não morreu. O amor não morreu. Gritaram todos. Foi ai que puderam ver o rosto do estranho que se chamava Tempo. E todos comemoraram porque o amor estava vivo e sempre vai estar, porque não há nada que acabe com o amor tendo o Tempo ao seu lado para ajudá-lo.

E sabe o que aconteceu com o Amor e o Tempo? Eles se uniram e tiveram três filhos: experiência, perdão e compreensão, que moram até hoje no vale dos sentimentos, lá no fundindo do coração.

"Quando procuramos o bem nas outras pessoas, descobrimos o que há de melhor em nós mesmos".


Autor desconhecido [mas foi a mamãe quem me mandou por e-mail].


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O dia do meu casamento - PARTE III

Uma das emoções do nosso casamento foi fazer a lista de padrinhos e no dia, vê-los testemunhando nossa união. Alguns que não puderam ir - tão importantes quanto os que foram - de alguma forma nos comunicou a ausência tão sentida até hoje por nós.

Os padrinhos do Cid foram seus amigos de faculdade Luiz Fernando, João Paulo e Daniela que acompanharam nosso namoro em todas as festas e encontros de turma, seus amigos de todos os finais de semana Cristiano e Lucas (que foi inclusive seu procurador para nos casarmos) e sua tia querida e amada Deise que estava lindíssima em um tomara que caia azul turquesa.

Os meus foram minha querida amiga Eliana que me conhece desde os meus quatro anos de idade, minha querida Ana Paula (indispensável), meu amigo Zequinha, meu dentista e confidente Léo, minha irmã Nanda e seu indefectível namorado, Henrique e Maria Alice (uma gracinha de pessoa) e minha querida Elaine que se lembra de todos os meus aniversários desde o primeiro ano que nos conhecemos.

Na ordem que entraram:

Alex e Nanda


Luiz Fernando e Eliana


Henrique e Maria Alice

Lucas e tia Deise

Cristiano e Elaine


João Paulo e Daniela


Zequinha e Ana Paula


Léo e Séfora

Então basicamente Cid arrumou os meninos e eu as meninas e a minha idéia inicial era que os meninos fossem de chapéu preto mais terno bem estilo Robert Duvall em Apocalypse Now, mas foi abortada pelos mesmos que nem deram bola para a minha eureca estapafúrdia. (Ahhhh meninos!)

Todos os seus padrinhos eram de fora e tivemos a satisfação de saber que vinham de Sacramento/MG, Carneirinho/MG, Aparecida do Taboado/MT, Palmas/TO, Brasília/DF, além dos nossos convidados que vieram de cidades vizinhas e outras nem tanto, como Belo Horizonte/MG, Marabá/PA, Pacajá/PA especialmente para nosso enlace.

Entretanto, além dos padrinhos, outras ausências foram sentidas. Pessoas que amo muito e que não puderam comparecer, deixaram em palavras ou em presentes seu carinho por mim e pelo meu marido. Com medo de esquecer de um, prefiro não citá-las.

Contudo, porém, uma pessoa uma bem especial, que nas suas palavras se recusou a me dar presente em forma de dinheiro (como foi de praxe em nosso casamento já que não tínhamos a menor condição de trazer microondas, panela de pressão, jogo de jantar, rolo de macarrão, escorredor de pratos, máquina de lavar e outros, no avião) me abordou a certa altura do casamento e me presenteou com um par de aparadores lindos lindos, presente dela e da sua mãe, a tia Célia (minha tia do coração). Eu que já vinha chorando desde o discurso e depois vendo os noivinhos no bolo (surpresa da mamãe), me desmanchei com as suas delicadezas em forma de presente. Quando nova, eu morava mais na casa deles que na minha. Era certo que quase todo final de semana eu dormiria lá e arrumava minha mala para três dias com doze calcinhas – Vai passar o final de semana tomando banho Ninivinha? – dizia a tia Célia. Foi na sorveteria deles, a Chandelly, que tomei 19 bolas aos 10 anos de idade e passei mal a noite toda com congelamento interno e foi fuçando nas maquiagens da Eliana que eu aprendi a me maquiar e a passar batom vermelho sem olhar no espelho. Ela disse que quando me viu entrando com aquela cor de batom, voltou no tempo e se lembrou de mim ainda pequena. Foi com a Eliana que eu descobri na tenra idade, o valor de uma amizade e o sentimento leal de ter uma amiga. Foi por ela que minha boca estava tão vermelha.






Nínive ficou com vontade de casar de novo, com o mesmo marido, só para sentir toda a emoção vivida. Mais fotos aqui.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O dia do meu casamento - PARTE II

Sorrindo e tentando desempacar do tapete, andando e olhando para os padrinhos, madrinhas chorando, mamãe chorando e eu fincada na chón. Rafael começou a me conduzir.


Quando chegamos, ele beijou a minha mão, abraçou o Cid e me entregou para ele.


Minha família é Testemunha de Jeová e a do Cid é católica, por isso, para não desrespeitar a consciência religiosa de ambos lados, optei por um discurso bíblico que não tivesse conotação ecumênica porque não concordo com 'vamos agradar a todos os deuses'. Então, pedi ao meu tio que fizesse um discurso simples, que despertasse interesse nos ouvintes e que não ferisse a religiosidade dos nossos convidados. Meu tio fez um excelente e breve aconselhamento, com base nas Escrituras Sagradas, informando-nos como devemos agir enquanto marido e mulher na prática. Não aguentei e chorei, tamanha delicadeza das suas palavras. Chorando ele disse:
- Casei minhas duas filhas em um ano e não fiquei tão emocinado como estou te vendo casar.

Pausa para os olhos cheios d'água
.

Após o discurso, fizemos os votos:

"Eu Cid, aceitei a ti Nínive, como minha esposa legítima, para amar e prezar em harmonia com a lei divina, conforme especificado nas Escrituras Sagradas, para os maridos, pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus".


"Eu Nínive, aceitei a ti Cid, como meu marido legítimo, para amar e prezar, e respeitar profundamente, em harmonia com a lei divina, conforme especificada nas Escrituras Sagradas para as esposas cristãs, pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus".


Em seguida, entra a nossa fofa pajem Luísa ao som de Beauty and the Beast - Celine Dion com as nossas alianças.

"Pelo tempo em que ambos vivermos juntos, na Terra, segundo o arranjo marital de Deus."

Amém.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O dia do meu casamento - PARTE I

Ao ficar pronta, definitivamente, percebi que eu estava um pouco em cima da hora já que eu disse com todas as letras que eu não em atrasaria. Às oito badaladas e meia, Cid entraria ao som de Another Day In Paradise do Phill Collins.

Contudo, entretanto, porém, Cid e eu preparamos uma homenagem (com a ajuda da Nanda, sempre) em vídeo que passaria no telão. Essa homenagem era em memória à vó Sinhá que morreu em junho aos 102 anos e lúcida, conheceu a sua tataraneta de um ano (ainda falarei sobre ela aqui). Nanda levou até o DJ o Cd feito caseiramente por ela. Um mimo. Como ele não testou antes, lógico não rodou. Meu pai pegou o namorado da Nanda e o levou em casa para ele converter o programa em outro. De volta ao salão de festa, o DJ testou de novo e nada. Papai de novo, pegou o Alex, levou em casa, que fez nova conversão. Voltaram para o salão de festa e arebaba! tic? funcionou. Isso levou pelo menos meia hora. Eu não sabendo de nada, liguei no celula do papai já querendo dar um derrame e cair dura, com a língua de lado.

- Pai, o senhor já está chegando?
- Mas você está pronta filhinha? - ele era quase um Jó quando me fez a pergunta.
- Sim - eu era quase uma Périsrilton respondendo.

No carro, percebi papai me olhando pelo retrovisor e então ele ficou falando que estava tudo certo, tudo arrumado, que todo mundo já tinha chegado e que tinha dado um pequeno probleminha com o cd mas que também já tinha sido resolvido.

Na porta do salão minha ansiedade - que já tinha dado tudo de si - mostrou as suas asinhas:
- Pai, desliga o ar, estou com frio, olha as minhas mãos, estou gelada.

Cinco minutos depois:
- Pai, liga o ar por favor, estou supitando.

Olhei pela janela e vi a cerimonialista confirmando a minha chegada com a equipe e então a música do Cid começou a tocar. Parecia que eu iria desmanchar em suor, meu corpo tremia todo e um papel que estava na minha mão, começou a se desfazer. Fui eu quem montei o protocolo e o cerimonial do meu casamento, por isso, mesmo naquele momento eu não era só a noiva: era quem estava também checando e acompanhando as entradas de longe.

Em seguida, entraram a mamãe com o pai do Cid: My Way - Elvis Presley
As nossas avós: I Want to Know I What Love Is - Mariah Carey
Nossos padrinhos: Vivo per Lei - Andréa Bocceli e Laura Pausini
Nossas duas pajens (irmãs do Cid): Halo - Beyoncé

Quando todos entraram e se acomodaram, os fotógrafos (vídeo e filmagem) foram para o carro. Minha hora tinha chegado e eu ainda não sei dizer se eu estava com frio ou com calor.


Desci.
Lembro-me de ter ouvido minha principal cerimonialista dizer o que eu tinha lhe pedido: peça as pessoas que ao entrarem, andem devagar, respirando e sorrindo. E claro, não esquecer de me dizer o mesmo.

Assim que me posicione, vi cabecinhas esticando lá na frente. Olhei para o DJ que esperava meu sinal. Pedi para fechar umas portas quando me disseram que a entrada tinha sido mudada. Pronto, a tremedeira começou. Eu parecia uma britadeira. Respira, bolha... vamos lá... .

Pisquei para o DJ.
A minha tão sonhada música, a que eu ouvi todos os dias até uns dias antes de me casar, a que em Vitória fingia segurar um buquê e me imaginava entrando, estava tocando. Eu quis ter certeza que eu estava ouvindo Only Time - Enya. Entrei ... sozinha, leve, devagar, olhando para as pessoas, tentando identificá-las. Sorria, andava devagar, parava, sorria, olhava para os lados.


No meio do caminho, meu irmão veio me conduzir. Acho que ele se apressou um pouco.... Eu estava tão leve, tão devagar. Dei o braço para ele e (achei que) continuei andando.

- Anda Nínive.
- Estou andando.

- Tá não.



Ah ele nessa última foto me puxando pelo braço.