Três dias depois de me casar e no dia em que eu viajaria com o Cid, fomos almoçar comida mineira na casa da mamãe, Cid, eu e a avó dele. U-ma de-lí-cia!!!
Pela manhã, saimos para resolver algumas coisas e a tarde ainda tínhamos tantas outras além de fecharmos a nossa mala, afinal eu tinha nada mais, nada menos que 98kg de bagagem que seriam transportadas de ônibus, carro, avião, lancha e por fim na camionete do Cid, até de fato chegarmos em nossa cidade.
Já na hora da sobremesa e ainda sentados à mesa, Rafael, meu irmão, veio se despedir de nós, porque ele tinha que voltar ao trabalho. Cid se levantou para despedir e a cadeira tombou para trás em uma velocidade tão repentina, que a minha arisca Nina não conseguiu correr a tempo. Só escutei seus gritos. Levantei-me, danei a gritar e comecei a rodear a mesa para pegá-la. Ela correu mancando. Debaixo de um móvel, puxei-a pela cabeça e a segurei no colo. Tentei pegar na patinha. Mais grito. Meu pai, o Cid e sei lá mais quem, me disseram que não era nada e que por isso que a Nina é manhosa, porque eu a ensino reagir dengosamente.
Levei-a para o quarto da mamãe e a coloquei em cima da cama. Ela saiu de perto de mim e desceu com uma pata só. Me descontrolei totalmente. Fui na cozinha e pedi para o Cid que pelo amor de Deus, me levasse com a Nina a um hospital.
Mamãe, assistindo ao meu show até então calada, danou a gritar comigo e a me mandar parar com aquilo. Pediu a Cid para levar a avó em casa, tomar um banho e voltar. Nanda e o namorado dela me levaram a uma clínica, a primeira mais próxima de casa.
Os três médicos veterinários que a atenderam, tinham estudado com o Cid. Me reconheceram e conversaram comigo. Aplicaram morfina na Nina e tiraram raio-X. Eles tiveram que puxar a pata dela em duas posições e a bichinha gritava enquanto eu tremia do lado de fora da sala. Ela teve uma fratura simples, total, na pata dianteira esquerda.
O médico, o primeiro que a atendeu, não quis operá-la, e sugeriu que a levássemos ao Hospital Veterinário.
Já com a mamãe, fomos para lá.Na portaria começaram uma série de perguntas pertinentes e outras do tipo: vocês agendaram a cirurgia? A Dona Saraiva da mamãe ficou bravíssima e disse: minha filha ela acabou de quebrar, como que eu agendaria?
Com muito custo nos deixaram entrar e esperar sentadas.Na correria, minha meia fina se desfiou e eu estava parecendo uma Secretária Executiva que foi demitida, sendo jogada do 6º andar. Eu estava arrasada.
Em seguida Cid chegou. O vi descendo do carro. Ele se identificou na portaria e entrou. Em seguida, mandou chamar um médico e logo fomos todos atendidos. Um anestesista (com especialização em dor), leu o raio-x da Nina e solicitou a coleta de exames.
A cirurgia da Nina foi agendada para a quarta-feira seguinte.Já eram quase 17h quando mamãe pediu para meu marido me levar embora para arrumar as malas. Com compaixão, entreguei a Nina para a mamãe e fui embora com ele.
Mais tarde, chega a mamãe com a Nina quietinha na caixinha.Mal pude me despedir dela e na viagem perguntei a Cid se a Nina pensaria que eu a estaria deixando, justo agora que ela estava com dor. Cid sorriu, me abraçou e disse que os animais não tem consciência, por isso são animais.
Ainda choro ao pensar nisso tudo.A parte engraçada da estória é que a mamãe foi ao Hospital visitar a Nina até que ela recebesse alta e depois para aprender a fazer a troca do curativo. Em todas as vezes, a mamãe na portaria:
- Meu nome é Giannete. Ge-i-a-ene-ene-e-te-e. Sogra do médico veterinário Dr. José Cid.
Catapulfiti, o portão se abria prontamente.
Eis o meu dodoizinho:
Da esquerda para a direita:
a cunhada, a sogra do Dr. José Cid
e a sua filhinha.
a cunhada, a sogra do Dr. José Cid
e a sua filhinha.
Aguardando em casa, ser operada.

A tipóia que a vovó colocou.

Nínive está com tanta saudade da Nina que fica choramingando pelos cantos da casa.