Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


domingo, 11 de setembro de 2011

Rapport e seus [e]feitos

Aprendi rapport em um treinamento da Sher oferecido pela TAM para a TAM Viagens, na recente temporada em SP. Não me lembro de ter ouvido essa expressão, mas já tinham me dito algo parecido só que com outras palavras. Acho e percebo que algumas pessoas que convivem ou conviveram comigo, acabam por adotar meus tiques, maneirismos e atitudes, além de compreender meus times humorísticos dos quais nem preciso de platéia: eu mesma conto, eu mesma rio eu mesma bato palma.

"Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida."
Anthony Robbins


Em virtude disso, admito que as pessoas tem mais facilidade em fazer rapport em mim que eu nelas e que com pouco tempo de convivência tá eu falando i-gual-zi-nho a pessoa. Uma amiga ontem a noite me disse: [...] Nínive você é muito sensível e instrospectiva em muitos aspectos, mas nem sempre você expõe esse traço da sua personalidade. Acho que nem você reconhece isso. Tudo o que as pessoas te falam, te causam um profundo impacto. Você guarda e absorve muita coisa e nem sempre descarta com facilidade aquilo que realmente não serve para você [...] e sabe quem anda pagando por isso? Sua saúde.

Imitar & Espelhar foram determinados como os principais fatores para se criar estados poderosos de rapport. Igualando os movimentos da outra pessoa, a postura, os atributos vocais, as frases chaves e até mesmo a sua respiração. Também é muito poderoso poder igualar os seus sistemas de representação. Esta é uma habilidade avançada que é ensinada nas série de seminários Act Now Success Skills (nos EUA).

Como de fato reflito muito no dia seguinte sobre meu dia anterior, fiz um recordar é viver do meu ano e das pessoas que me cercam. Tenho certeza (absoluta) que já adquiri um pouco de cada um e assim portanto, emprego um pouco de mim fazendo uma extensão do meu papel em sociedade. Veja bem: do meu papel em sociedade e não na sociedade, porque não podemos ficar nos comportando da maneira com que as pessoas irão nos aceitar ou não irão falar de nós, pois assim estaremos jogando nossa personalidade e educação no lixo. Claro, não estou levantando bandeira para as bizarrices e discrepâncias, mas até isso pode soar um pre-conceito: o que é destrambelhamento para um, é normal para outro.

A moda sempre foi: vão falar! Mal ou bem, gostando ou não. Somos seres humanos dotados da capacidade de ir e vir e esse livre arbítrio tem um preço - uns vão te amar, outros, te detestar. Outro dia li algo assim: quando forem falar mal de mim me chamem, sei péssimas coisas a meu respeito. Achei graça. É fato. Só nós sabemos da dor e da delícia de sermos quem somos, quem podemos ser, por nós mesmos. Será que alguém pode dar licença para ser você mesmo?

Obrigada.

Bob Marley escreveu um dia com sua lucidez impressionante:

Preocupe-se mais com a sua consciência quem com a sua reputação
Porque a sua consciência é o que você é
E a sua reputação é o que pensam sobre você
E o que pensam sobre você
É problema delas.

Acho essa frase um máximo e ando bradando-a na menor oportunidade. Sabe por que? Porque senão todo mundo vai querer nos convencer disso ou daquilo e vamos acabar por passar a vida pedindo desculpas e achando que só o outro tem razão. Não tem não! Sim, goste de outras pessoas, se permita. E não guarde esse amor só para você. Mas antes de qualquer coisa, ame a sim mesmo. "Ninguém pode fazer mal a alguém. A menos que se permita". Verdade Gi. Verdade.

Conclusão
O Rapport é um tópico fascinante e pode conduzi-lo(a) numa viagem de descoberta na direção de entender as pessoas ao seu redor.
O melhor modo para aprender é a experiência.
Pratique a Imitação e o espelhamento e lembre-se de PRESTAR ATENÇÃO.


Em vídeo, o rapport é exatamente isso aqui ó:



video




Nínive aprende com as pessoas. Todos os dias. E agradece a oportunidade.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pimenta nos olhos dos outros ...



De tanta reclamação, os problemas com telefonia viraram até stand-up's. Já diz o ditado: se não pode derrotá-los, alie-se ou melhor: pimenta nos olhos dos outros, é refresco. E foi nessa onda de descontar, desabafar, revidar que dei meu mais recente bafão ao telefone. Como costumeiramente digo: já não tenho lá muita paciência, quando ela acaba, dou show. E com a Banda Calypso de fundo. Desse modo aqui ó:

Toca o telefone...
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesma.
- Quem fala, por favor?
- Nínive.
- Como?
- Nínive
- Denise?
- Nínive.
- Aline?
- Ní-ni-ve. Vou soletrar: ene-i-ene-i-v-e.
- Srª Níniver, aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção OI linha adicional, onde o Srª. tem direito...
- Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da OI, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- Bem, pode..
- De que telefone você fala? Minha bina não identificou.
- 10331.
- Você trabalha em que área, na OI?
- Telemarketing Pro Ativo.
- Você tem número de matrícula na OI?
- Senhora, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da OI. São normas de nossa casa.
- Mas posso garantir ....
- Além do mais, sempre sou obrigada a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a OI.
- Ok.... Minha matrícula é 34591212.
- Só um momento enquanto verifico.
(Dois minutos depois)
- Só mais um momento.
(Cinco minutos depois)
- Senhora?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhora...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Srª tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada, Srª Níniver?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha mãe, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones aqui em casa tá? Por favor, não desligue.
(coloco o telefone em frente ao aparelho de som onde começa a tocar – “como é que uma coisa assim machuca tanto, toma conta de todo o meu ser, é uma saudade imensa que partiu meu coração ...”) tocando no repeat até acabar, quando minha mãe atende
- Obrigada por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..
- 10331.
- Com quem estou falando, por favor.
- Rosicleide
- Rosicleide de que?
(já demonstrando irritação na voz)
- Rosicleide Judite
- Qual sua identificação na empresa?
(mais irritada agora)
- 34591212
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?
- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Srª tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor?
(Sem resposta)
- Alô, alô!
- TUTUTUTUTU...
- Desligou.... nossa que moça mais impaciente!


Nínive não fez isso. Mas vai fazer ... ah se vai!

domingo, 4 de setembro de 2011

Não temos que perdoar. Quem disse?



Sexta-feira retrasada em uma saída com as Luluzinhas saiu uma conversa que mexeu com meus brios. Todos. Primeiro claro, por ter me sentido altamente afetada por aquilo que ouvi, depois porque colocou em xeque muita coisa da minha formação religiosa.

Afeto significa admirável, simpatizante. Afetado, significa acometido, abalado.

Uma outra questão que acho importante dizer é que adoro conversas intelectuais e diferente das pessoas que só gostam de estar perto de gente inteligente, é preciso também saber se portar junto delas. Que adianta querer se mostrar cult, se quando a oportunidade surge, você pega seu copo e se levanta da mesa? Bora ler minha gente. Bora ler. Senão não acompanha o bonde

A conversa intelectual começou sexta retrasada com as Lulus (banhados a 11 tequilas, sermão e long neck's) e sexta agora botei o assunto na mesa com os amigos da dança de salão (ao fundo de bolero e samba).

Comecei: "perdoar é o ato mais egoísta que o ser humano pratica contra o outro pois, além de dar-lhe carta branca a cometer seus erros, ainda não o ensina, não o educa. O perdão o abstém do erro que foi pacificado pelo perdão".

Me retrucaram: "o que você diz de alguma forma faz sentido, mas a Bíblia diz para perdoar setenta vezes sete. Isso é cristão!

"Acredito muito nisso - ponderei - é minha formação religiosa acreditar nos preceitos Bíblicos. Mas não estou dizendo para você não perdoar, estou dizendo o preço que você paga perdoando o indivíduo. Já parou para pensar que os perdoadores sentem um falso alívio? Na verdade, trazem para si o erro da outra pessoa. Além de não ajudá-la a parar de errar. O que quero dizer em outras palavras é que além de ter tido que carregar a dor do erro da pessoa, ainda traz mais outro: o de ter que passar por cima disso. Esse é exatamente o falso alívio: a pessoa não fica imune. Ao contrário, se ela tinha um peso, agora tem dois". E finalizei: "O correto então, deveria ser não aceitar as desculpas, mas simplesmente não deixá-la errar não perdoando-a".

Pronto. Acabei com a dança de todo mundo. Tiveram que ter uns 30 segundos antes de replicar-me. E então cada um expôs à sua maneira o ato de perdoar. E todas as justificativas são legítimas, porque além do perdão, falamos também sobre esquecer. Tem gente que perdoa e depois joga na cara e tem gente que passa por cima disso numa boa (será?).

Me explica os deprimidos? Pessoas que muitas vezes não falam, precisam de medicamento para se controlar ou dormir ou para dar conta do perdão diário e infindável. Dos traumas, das dores e dos dissabores. Quer tipos que mais exercitam o ato de perdoar? Segundo o dicionário Houaiss, perdoar significa "ato pelo qual alguém é dispensado de cumprir uma obrigação ou um dever". Eu nunca tinha lido esse significado, apenas entendia o perdoar na tradução comum (a todos) do verbo. Viu que não falo pelos cotovelos?

Julgo por mim. Passei por uma crise aos 21 anos o que me levou a ficar um ano em tratamento. Eram retornos ao médico e aumento da dosagem na prescrição periodicamente. Perda de peso, cabeça voada, mal humor, tristeza e um céu cinza, cinza. Mesmo na primavera. Quase todos os dias. Tinha uns muitos, que eu não tinha paladar e recusava sem pestanejar minha sobremesa favorita. Vaidade zero. Minha cor amarelou, meu cabelo caia muito, cheguei a pesar 42Kg e na crise não tinha choro: era o auge da depressão. Dizer que eu não tinha namorado e nem paqueras é totalmente desnecessário.

Então após um ano mais ou menos, vi que precisava reagir. Fazer meu mundo mudar por mim mesma. O médico não estava me ajudando muito. Nem os medicamentos. De certa forma, admito, ele era um ponto de equilíbrio - era dali que eu devia partir, mas não era definitivamente ali que eu deveria ficar. Um ano é muita coisa na vida de uma mulher de 21. Se eu estivesse estagnada - penso eu - ou a mercê de como as coisas estavam sendo conduzidas, eu não teria tido alta até hoje. Então um dia, em uma manhã ensolarada, fui tomar banho antes de ir trabalhar, me depilei toda, vesti um conjunto sobrevivente de lingerie decente, passei uma maquiagem azul e muito rímel e aceitei o convite da turma da loja para a um happy hour. Vi que eu tinha perdido todos os assuntos do ano. Todo o mundo caminhou sem mim. Continuar deprimida não me alavancaria. Eu não tinha papo. Sequer estava lendo. Assistia Chaves, desenho animado e só. Eu que sou aficcionada por leitura estava totalmente desatualizada e por isso então não tinha o que conversar. Então na mesa, apenas sorria e bebia meu primeiro copo de cerveja que mais parecia o primeiro da vida. No período de lamúrias só fiz cultivar o luto e brigar com o perdão que eu (achava que) tinha que dar para eu poder me libertar. Bobagem.

Hoje vejo que não foi nada disso. Precisei de 10 anos (tenho exatos 31) para perceber que eu não fui prá frente por conta do perdão que eu tinha que dar ou tinha que me ser dado. Precisei mudar para o meu mundo mudar e minhas atitudes fizeram com que isso desse certo. Não vou agora ser ingrata e dizer que fiz tudo sozinha porque eu sou a the best. Os médicos me orientaram, o medicamento me estabilizou, minha família mais uma vez me segurou (como sempre). Os amigos apareceram junto com o meu ressurgir e uma em especial me foi ótima ouvidos. Não é fácil conviver com quem não quer ficar bem e com quem só fala do passado como a chance da vida perdida. Outra bobagem. De lá para cá tanta coisa mudou. Ficou ora boa, ora ruim, ora péssima, ora ótima, ora maravilhosa.

Essa foi uma parte da minha vida que eu tinha esquecido. Não teve que haver perdão, teve que haver atitude. Principalmente e exclusivamente da minha parte. Há uma outra, ainda mais recente que nem pensei na palavra perdão para seguir adiante. E só hoje me dei conta disso. Pensei em mim e em mim. No momento de dor e de choro, refletia: vou cumprir esse luto até o fim, mas esse fim vai ter data para acabar. Foco. Objetivo e ... pimba! Precisei de dois meses para me refazer. Não vou me mostrar inatingível, porque houveram sim momentos posteriores de baque e alguns choros. Mas poucos. O suficiente. O saldo positivo foi: não perdi peso (não por isso), meu cabelo não caiu e não tive crises. Nenhuma. Ao contrário, voltei a estar magra (depois de um período de exercícios), meu cabelo tem crescido bem, sou contratada da *T*A*M* Viagens e meu coração está bem, obrigada. Cresci. Apareci. Amadureci. O tempo tem me feito melhor e mais otimista. Se eu pudesse eu mesma me beijava e me abraçava agora. Alguém aí quer fazer isso por mim?

Então, deixo a pergunta e a discussão: para você, o que é o perdão?

Nínive não vai mais perdoar. Vai cultivar sua memória de cachorro. Ou ... ficar bem longe.