Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


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domingo, 12 de setembro de 2010

Encantamento

Com a chegada do Cid em Uberaba, um dia antes de nos casarmos mais o nosso reencontro, transportou-me para um mundo do qual ainda não saí. Até hoje.

Por muitas e muitas vezes, olho para ele e sorrio francamente. Na maioria dessas vezes ele me pergunta o que é. Não é nada – respondo. Mas acho que de fato, é um tudo. Percebo a sua disposição, o seu conhecimento, o seu amadurecimento. Cid sabe arrumar de tudo em casa e cozinha. É daquele que chega para o almoço com uma torneira nova para trocar e usa suas duas horas de descanso para ajeitar alguma coisa aqui em casa: chuveiro, espelho, torneira e tudo quantuá e agora está de pai de uma gatinha que adotei. Xinga a coitada todo dia, mas a bichinha sabe conquistar e com isso já ganhou desse pai bravo cálcio, vermífugo, banho e uma ração caaa-ra pra disgrama.

A bichinha deitou para ganhar o banho. Guento?

Sem que eu me desse conta e ainda, acometida por toda a emoção que passei e ainda, mais crítica que eu deve estar para nascer, vejo cla-ra-men-te nas fotos que meus olhos não são os mesmos. Quando revejo as minhas fotos da formatura, que são as fotos profissionais mais recentes e as minhas fotos com o Cid, é notório que meus olhos tomaram outra força. Uma estranha força. São olhos que denunciam meu tele-transporte, meu submundo, meu eu. Um eu tão íntimo que chego a não reconhecer e claro a minha primeira crítica foi:

- Ai mãe, não gostei das fotos.
- Mas por quê?
- Ah não gostei ... fotos de muito longe, minha maquiagem ficou assim, assado, e meu cabelo, ai também não sei. Aném não gostei.

- Ihhhh ó, pode parar. Não faça isso com você mesma.

Há umas duas semanas recebi um e-mail da mamãe dizendo que as fotos do casamento ficaram maravilhosas. Estou que não me agüento de vontade de vê-las. Recebi uma prévia, por e-mail. Dizer que não gostei será muita injustiça da minha parte, mas por fim assenti: não são meus cabelos, nem a maquiagem, nem a foto tirada de lado, ou com a cara enfiada no buquê. É que não tem sido tão simples lidar com um marido que te acorda com um café da da manhã na cama. Sou notadamente expressiva com os olhos e eles estão mostrando meu encantamento.



Nínive tem olhos só para Cid.