Razão ...

RAZÃO ...


O conhecimento que recebemos, na maioria das vezes, não tem muita relação com a nossa história, no máximo tem relação com a nossa formação profissional.

Aprendemos a acumular conhecimentos, aplicar fórmulas, analisar teorias, repetir regras ...
Todos esses eventos têm relação direta com a nossa história pessoal, nossos sonhos, expectativas, projetos, relações sociais, frustrações, prazeres, inseguranças, dores emocionais e até crises existenciais.
Adquirir essas experiências e vivê-las a tal ponto de segurar as lágrimas para que não derramem, estar preso a pensamentos nunca revelados, ter temores não expressos, palavras não ditas, inseguranças comunicadas e reações psicológicas não decifradas, são àquelas em que aprendemos na escola da existência. É nessa escola que deixamos raízes, saudades e memórias infindáveis.
É vivendo com cada experiência, que aprendemos a lidar com ela.
Por todos esses motivos, a razão desse espaço é dividir aprendizagem, oportunizar leituras, e claro, me exercitar na escrita e na comunicação.

Seja muito bem vindo!


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Me diz ...



Me diz que não é verdade.
Que eu liguei a televisão em um canal de ficção.
E que foi engano.

Me diz que foi um susto.
Que foi uma pequena revolta.
E que a arma era de brinquedo.

Me diz que foi um sonho.
Que acordei com sede, voltei para a cama e continuei esse terrível sonho.
E que agora eu já posso acordar.

Ou melhor, me diga que eu posso voltar a dormir.
Que foi um pesadelo.
E que agora está tudo bem.

Ei!
Por que você não me diz nada?
Por que só me olha e chora?
Por que seu abraço está tão apertado?

Aqui...
Eu também posso chorar?
Posso te abraçar?
Posso pedir em nome de Jesus que o DEUS VERDADEIRO tenha misericórdia e compaixão para com toda essa família?

AMÉM!


Ana Carolina Pacheco da Silva - 13 anos
Bianca Rocha Tavares - 13 anos
Géssica Guedes Pereira - idade não divulgada
Igor Moraes da Silva - 13 anos
Karine Chagas de Oliveira - 14 anos
Larissa dos Santos Atanázio - 13 anos
Larissa Silva Martins - 13 anos
Luiza Paula da Silveira - 14 anos
Mariana Rocha de Souza - 12 anos
Milena dos Santos Nascimento - 14 anos
Rafael Pereira da Silva - 14 anos
Samira Pires Ribeiro - 13 anos



Nínive ...

quinta-feira, 10 de março de 2011

E a conta eu mando prá quem?

Perder uma pessoa na morte deve ser terrível. Não tenho essa experiência. De toda forma, temos o que dizer.
- Fulano morreu de ...
- Nossa é mesmo? Mas como foi?

Perder uma pessoa para outra deve ser terrível. Não tenho essa experiência. Ainda assim, podemos dizer:
- Ela (pessoa) me trocou por ...
- Santo Deus e você, como está?

Perder uma pessoa para ela mesma aconteceu comigo. Recentemente. Não tenho o que dizer. Ou melhor, até tenho. Mas é que falar tem me exaurido, não me sinto mais leve desabafando. Acabo sonhando e acordando mal. E fazendo - sem querer - pessoas sonharem comigo triste. Não estou de luto, nem deprimida nem fazendo análise. Não tenho tempo, grana tampouco disposição. O que estou tendo que ter é coragem (antônimo de covardia) para me reerguer. Do zero. Não tem problema: isso para mim não é problema.

Problema na minha concepção foi o que acabei de arrumar. Acredite você, que hoje fui tratar de um dente-problema e meu dentista me disse que ele não tem mais tratamento (dado o tempo em que fiquei no Pará sem manutenção) e que a solução será a sua extração e o implante de outro. Até aí tudo bem. O problema foi enfrentar as aplicações da anestesia que não pegava, depois que pegou paralisou todo o lado direito da face, incluindo a orelha, dai a parte da remoção foi tensa com direito a queda de pressão e sangue para tudo quanto é lado. Quase sugeri um remake de Thriller do MJ ali no consultório mesmo. O duro não foi ensaiar os passinhos. O duro foi a conta. Tudo bem que ele me trouxe em casa porque aqui anda um toró daqueles e eu continuava com a pressão baixa (mas cá entre nós, dessa vez era por causa da conta).

Perder as pessoas - seja de qual forma for - é de fato terrível. Dói no corpo todo e a cabeça ruim nos mantém alienados. Dessa dor eu vou me curar, porque não tem sofrimento que dure a vida toda e mais cedo ou mais tarde, a gente aprende a se acomodar. Dessa dor eu vou me curar, porque eu me permito a novas experiências. Sempre. Fico mais linda sorrindo que chorando.

Mas ó, preciso perguntar: e a conta do meu dentista, eu mando prá quem?


Nínive está bem gente, obrigada pela amizade sempre. Se eu conseguisse, ia mandar por aqui uma piscadinha, mas é que ainda estou anestesiada e não consigo fechar o olho direito. E eu pisco mal com o esquerdo.



*/*/* AMANHÃ RESULTADO DO SORTEIO!!! */*/*

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O acidente da Nina

Três dias depois de me casar e no dia em que eu viajaria com o Cid, fomos almoçar comida mineira na casa da mamãe, Cid, eu e a avó dele. U-ma de-lí-cia!!!
Pela manhã, saimos para resolver algumas coisas e a tarde ainda tínhamos tantas outras além de fecharmos a nossa mala, afinal eu tinha nada mais, nada menos que 98kg de bagagem que seriam transportadas de ônibus, carro, avião, lancha e por fim na camionete do Cid, até de fato chegarmos em nossa cidade.
Já na hora da sobremesa e ainda sentados à mesa, Rafael, meu irmão, veio se despedir de nós, porque ele tinha que voltar ao trabalho. Cid se levantou para despedir e a cadeira tombou para trás em uma velocidade tão repentina, que a minha arisca Nina não conseguiu correr a tempo. Só escutei seus gritos. Levantei-me, danei a gritar e comecei a rodear a mesa para pegá-la. Ela correu mancando. Debaixo de um móvel, puxei-a pela cabeça e a segurei no colo. Tentei pegar na patinha. Mais grito. Meu pai, o Cid e sei lá mais quem, me disseram que não era nada e que por isso que a Nina é manhosa, porque eu a ensino reagir dengosamente.
Levei-a para o quarto da mamãe e a coloquei em cima da cama. Ela saiu de perto de mim e desceu com uma pata só. Me descontrolei totalmente. Fui na cozinha e pedi para o Cid que pelo amor de Deus, me levasse com a Nina a um hospital.
Mamãe, assistindo ao meu show até então calada, danou a gritar comigo e a me mandar parar com aquilo. Pediu a Cid para levar a avó em casa, tomar um banho e voltar. Nanda e o namorado dela me levaram a uma clínica, a primeira mais próxima de casa.
Os três médicos veterinários que a atenderam, tinham estudado com o Cid. Me reconheceram e conversaram comigo. Aplicaram morfina na Nina e tiraram raio-X. Eles tiveram que puxar a pata dela em duas posições e a bichinha gritava enquanto eu tremia do lado de fora da sala. Ela teve uma fratura simples, total, na pata dianteira esquerda.
O médico, o primeiro que a atendeu, não quis operá-la, e sugeriu que a levássemos ao Hospital Veterinário.
Já com a mamãe, fomos para lá.
Na portaria começaram uma série de perguntas pertinentes e outras do tipo: vocês agendaram a cirurgia? A Dona Saraiva da mamãe ficou bravíssima e disse: minha filha ela acabou de quebrar, como que eu agendaria?
Com muito custo nos deixaram entrar e esperar sentadas.
Na correria, minha meia fina se desfiou e eu estava parecendo uma Secretária Executiva que foi demitida, sendo jogada do 6º andar. Eu estava arrasada.
Em seguida Cid chegou. O vi descendo do carro. Ele se identificou na portaria e entrou. Em seguida, mandou chamar um médico e logo fomos todos atendidos. Um anestesista (com especialização em dor), leu o raio-x da Nina e solicitou a coleta de exames.
A cirurgia da Nina foi agendada para a quarta-feira seguinte.
Já eram quase 17h quando mamãe pediu para meu marido me levar embora para arrumar as malas. Com compaixão, entreguei a Nina para a mamãe e fui embora com ele.
Mais tarde, chega a mamãe com a Nina quietinha na caixinha.
Mal pude me despedir dela e na viagem perguntei a Cid se a Nina pensaria que eu a estaria deixando, justo agora que ela estava com dor. Cid sorriu, me abraçou e disse que os animais não tem consciência, por isso são animais.
Ainda choro ao pensar nisso tudo.
A parte engraçada da estória é que a mamãe foi ao Hospital visitar a Nina até que ela recebesse alta e depois para aprender a fazer a troca do curativo. Em todas as vezes, a mamãe na portaria:

- Meu nome é Giannete. Ge-i-a-ene-ene-e-te-e. Sogra do médico veterinário Dr. José Cid.


Catapulfiti, o portão se abria prontamente.

Eis o meu dodoizinho:

Da esquerda para a direita:
a cunhada, a sogra do Dr. José Cid
e a sua filhinha.


Aguardando em casa, ser operada.

A tipóia que a vovó colocou.

Pós-operada e tosada

Olhando meio de lado para a foto.

Ontem, com o vovozinho tomando sol.


Nínive
está com tanta saudade da Nina que fica choramingando pelos cantos da casa.

sábado, 17 de julho de 2010

Manhosa, dengosa e dodói

Enchi uma mala de roupas e fui no brechó hoje cedo tentar vendê-las. A qualquer preço eu venderia. Fui e voltei com ela cheia. A moça está com o brehó cheio de roupas e só pegaria - e nem está pegando - se fosse por consignação. Voltei pensando no plano B: doar.

Chegando no passeio de frente de casa, ao descer o top, pisei em falso e virei o pé esquerdo. Ai. Senti uma pontada de dor e fiquei imóvel apoiando na alça da mala. Segundos depois, a dor aumentou e eu comecei a sentir mal, tentei alcançar o meio fio. Sentei. Vi uns homens na casa da frente olhando e abaixei a cabeça. Ninguém veio me ajudar. Assim que eu achei que melhorei, peguei a mala que estava caída e atravessei a rua, arrastando a perna esquerda. Moro no segundo andar e custei a subir.

Cheguei e deitei. Tentei dormir. Enquanto eu não mudava de posição, dormi bem, mas quando ia virar ai ai ai. Acordei 15h30. Estava com fome e com dor. Comi um danoninho com uma barra de cereal e alow mamãe.

A TIM não está funcionando direito e não estou conseguindo falar com ela. Escutei a dona Dalva, uma senhora que limpa o condomínio, conversar na escada e gritei por ela. Ela veio. Ficou virando os meus pés prá lá e prá cá.

- Aqui dói?
- Aham.
- E aqui?
- Aaaaaaaaaaai dona Dalva.
- Você vai ter que ir no hospital.

Ela me trouxe gelo e vinagre com sal para fazer uma compressa quente e outra gelada. Até agora não sei se tenho que colocar gelo ou fazer uma compressa quente.

Aproveitei a vinda dela e falei: tá vendo essa mala? Escolhe aí o que a senhora quer. Escolheu. De brinde ainda dei algumas roupas de cama e banho.

Ela precisou dar duas viagens para levar todas as doações e na volta, me trouxe de presente uma loção hidratante maravilhosa da Jequiti. Eu já tinha comprado dela alguns produtos e amei. Amei mesmo. E então, ela me deu outro igual . Ele tem um cheiro maravilhoso de jabuticaba e lembra muitíssimo os bodies lotions da Vitoria's Secrets, mas por um preço muy amigo. RECOMENDO.



D. Dalva foi embora e voltei a me lembrar da dor. Ai, ai, ai hein?

Para quem não tinha almoçado, a fome bateu e sábado é dia de ir ao supermercado. Que jeito?

Por e-mail, a mamãe:

Enfaixar o pé, colocar gelo (cubos de gelo em um saco plástico), tomar Tylenol de 6 em 6 horas e deixar a perna para cima.
Se não, a noiva vai entrar mancando ...
Dra. Nenete
CRM 160680









Mãe, gelo eu tenho, Tylenol e faixa não.
Serve sopa e vinho?

Nínive tem um pé feinho demais. Desculpa aê gente.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Notícias [finais] do meu casamento

Meu casamento está sendo organizado às pressas, porque há urgência em deixar a felicidade entrar, assim que ela bateu em nossa porta. Essa pressa teve um preço. Recebi a notícia que várias coisas das quais estava me preparando não vão acontecer. Cid e eu pensamos na possibilidade de adiar para não termos que abrir mão de passarmos por todo o protocolo que um casamento sugere. Toda menina sonha com esse dia. No desktop do meu computador, está todo o check-list. Como eu disse no post anterior, eu ouço quase todos os dias a música que elegi para entrar. Está doendo muito. Há dois dias durmo mal e ainda não consegui chorar. Faz parte do processo de desapego. O momento ainda é de felicidade, afinal vou me casar com o homem da minha vida. De toda a minha vida. Mas não está sendo nada fácil. Nada fácil. Releio o check list. Onde eu errei? Não consigo entender. Compreender. Aceitar. Ontem, antes de começar a ler meus queridos blogs, escolhi uma pasta de música qualquer. CTRL + A e enter, acomodei-me na cadeira. Música 1 = check list, música 2 = idem. Desliguei o computador e fui dormir. Tentar. Que sensação horrível. De perda. De falta. De sonho. O dia amanheceu e de sonho não tinha nada. Cid está tentando ficar mais perto o possível, ele quase me lê. Sensibilidade para poucos. Ele fala melhor que escreve e procura nas palavras dos outros, suas melhores expressões de amor, carinho e afeto:

- Bonita?
Ele disse:

- Não.

-Quer ficar comigo pra sempre?

Ele disse:

- Não.

- Vai chorar quando for embora?

Ele disse:

- Não
.
Assim que ela estava indo embora, chorando, ele agarrou seu braço e disse:

- Você não é bonita, é linda!

- Eu não queria ficar com você, eu preciso ficar com você para sempre.

- Eu não choraria se você fosse embora. Eu morreria.


Nínive reencontrou com seu príncipe encantado. E ele ainda é loiro dos olhos verdes.

sábado, 27 de março de 2010

Resposta à Cida:

cida souza disse...
OLA NINIVE linda!hoje li o post rindo e chorando,sua mãe é muito linda,assim como você,Ninive você esta certa quando diz que os filhos não estão preparados para perder os pais,sinto muita saudades da minha mãe,ela faleceu a alguns meses aos 58 anos,sempre morei com ela, sempre fomos muito grudadas,nunca vou superar esta perda,a perdi para o câncer,é muita dor.Desejo a sua mãe linda muita saúde,que Deus a abençoe sempre bjsss
24/03/2010 22:34:00


RESPOSTA:
Que tal se ao invés de tentar lutar contra essa dor, você procure acomodá-la dentro de você? Talvez assim, ela doa menos sem te sufocar, sem te fazer tão sozinha e infeliz. Tente mudar o tom dessa dor. Tente deixar uma saudade gostosa; daquelas que a gente chora-e-ri? Pois é, essa mesma.
Chore de saudade, mas não somente da perda, da ausência e da falta. Chore por isso sim. Mas chore também pelo sorriso, pelas conversas, pelas broncas, pelas lembranças, pelos dias de uma emburrada com a outra.
Ou melhor.
Se possível, não chore. Sorria.
Sorria para você. Por você. Por ela. Faça algo de que ela gostava. Por ela. Por você. Mas faça principalmente por você.
Sabe por que? A vida da sua mãe - infelizmente - foi abreviada. Mas a sua não e você precisa viver a sua vida com tudo de bom que tiver direito: com mais leveza, com mais sorrisos, com mais humor.
Você escreveu: "a perdi para o câncer". Achei cruel a sua manifestação, mas ponderei que é assim que você ainda se sente: injustiçada, se perguntando por que essa doença? Por que na minha família? POR QUE A MINHA MÃE?
Procure não pensar assim. Não remoa essa dor. A ferida, querida Cida, precisa cicatrizar. PRECISA.
Vivemos em um mundo iníquo, desleal e desonesto, onde "o imprevisto sobrevêm a tudo e a todos" e, por mais que a gente saiba que a tristeza e a dor são sensações peculiares à humanidade imperfeita, jamais conseguiremos lidar com elas sem sermos afetadas.
Que dirá à morte?!.
Isso acontece, porque Deus criou em nosso coração o desejo da eternidade. É bíblico. Quem em sã consicência diz: quando eu tiver 80 anos, eu quero morrer. Pergunta para um de oitenta aí, se ele quer marcar o dia da morte dele?
Muito improvável que você tenha essa resposta. Muito mesmo.
Por isso, querida Cida, deixo aqui o meu abraço, minhas palavras de compaixão e minha amizade.
Fique bem. Tente!
Eu vou estar aqui.
Todos os dias.
Escrevendo e esperando você me ler. Me ler e me escrever.
Eu conto os meus causos e alguém precisa rir. Conto com você.

Muah!